Movimentos, Espíritos e Rituais

Movimentos, Espíritos e Rituais
Gestões da Morte em Cenários Transnacionais
Categoria: 
ISBN: 
978-972-671-382-1
Idioma: 
Português
Data de publicação: 
2016/Dec
Dimensão: 
23x15
Nº Páginas: 
192
Coleção: 
Colecção Geral
Formato: 
Capa Mole
20,50 €18,45 €

Como é que se morre em movimento? E como é que se recriam lugares de pertença a partir dessa morte em movimento? Numa sociedade ocidental em que a morte se tornou um tabu, e que é pensada como algo que só acontece aos outros, este distanciamento face ao último rito de passagem da vida pertence à esfera do mito e do preconceito – a suposta invisibilidade da morte. Mas a morte levanta questões que se prendem com a mobilidade dos indivíduos mas também com a criação de lugares de pertença e de ligação com os espaços de origem.
Num mundo globalizado, como morrem os imigrantes, sempre em movimento entre os seus países de origem e os seus destinos migratórios? Nos vários capítulos deste livro analisam-se os níveis múltiplos que a morte toca, desde os mais simbólicos aos mais práticos. A morte é uma dimensão onde a abordagem transnacional é obrigatória – juntamente com o debate crítico sobre o sentido do «transnacional» e as suas características multifacetadas – já que encerra uma intensa circulação, não apenas de bens materiais e riqueza, mas também de universos significativos e simbólicos que circulam juntamente com os bens e as pessoas: o corpo, mas também os espíritos e as relações com o outro mundo que as pessoas trouxeram para a diáspora.

 

Prefácio

João de Pina-Cabral

p. 23

Introdução. Mobilidades e lugares da morte

Clara Saraiva, Simone Frangella e Irene Rodrigues

p. 37
Parte I: Morte: teorias em movimento  

1. A morte e o que se lhe segue: a imobilização dos mortos e a migração

Maurice Bloch

p. 37

2. A morte em movimento: uma abordagem teórica sobre a morte e suas possíveis implicações em contextos transnacionais

Anastasios Panagiotopoulos

p. 51

3. Corpos em falta e pertença entre os Manjaco: ou o passado e o futuro de alguns costumes funerários no contexto do cosmopolitismo

Eric Gable

p. 71
Parte II Circulação transnacional de espíritos, corpos e rituais  

4. "As folhas caídas regressam às raízes": a invisibilidade da morte e a ideia de "casa" na política de enterro da migração  chinesa

Irene Rodrigues

p. 87

5. Os cemitérios e a diversidade. Expressões de organziação do património religioso funerário em Espanha

Sol Tarrés e Jordi Moreras

p. 105

6. Pessoa, morte e género entre Lisboa e Dhaka

José Mapril

p. 129

7. A visibilidade da morte em Portugal no quadro das migrações transatlânticas e intraeuropeias

Maria Beatriz Rocha-Trindade

p. 149
Parte III Morte, migração e saúde  

8. Viver a morte em Portugal: atitudes de portugueses e diferentes grupos de imigrantes face à morte

Violeta Alarcão, Filipe Leão Miranda, Elisa Lopes e Rui Simões

p. 173

9. A morte em várias línguas: principais causas de morte e procedimentos de transporte de cadáveres em Portugal - análise focada em imigrantes do Bangladesh, Brasil, China, Cabo Verde e Guiné-Bissau

Andreia Jorge Dilva, Joana Ferreira Duarte, Violeta Alarcão e Clara Saraiva

p. 207
Parte IV: O lugar e os lugares da morte  

10. Encontros com a morte no Noroeste

António Medeiros

p. 235

11. "Não vão lá com flores": as mortes não-evidentes na migração

Ottavia Salvador

p. 251

12. O lugar dos mortos: geografias móvies e os monumentos aos mártires de Timor-Leste

Rui Graça Feijó e Susana de Matos Viegas

p. 269

Posfácio

Cristiana Bastos

p. 291

 

Clara Saraiva, antropóloga, é senior research fellow no Centro de Estudos Comparatistas da Universidade de Lisboa e colaboradora do CRIA.  Foi Visiting  Professor na University of California Berkeley (2013); Brown University (2001-02 and 2008) e Research Fellow no the Watson Institute for International Studies da Brown University (2001-2002 and 2008). É especializada na área da antroplogia da religião e rituais e investigou as concepções sobre a morte e os ritos funerários em diversos contextos. Principais áreas de interesse: antropologia da religião e rituais; migrações e circulação de pessoas; transnacionalismo religioso; antroplogia da saúde e das emoções; África e Brasil: colonialismo e pós-colonialismo.

 

Simone Frangellaé investigadora no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. Trabalhou por muito tempo sobre temas relacionados com o espaço urbano, corporalidade, percursos itinerantes e a construção de sociabilidades, tendo a rua como espaço central de investigação nas suas teses de mestrado e doutoramento. Atualmente dedica-se a questões relacionadas com as mobilidades transnacionais, particularmente os fenómenos migratórios e suas dinâmicas sociais e simbólicas, tendo como recorte empírico a migração brasileira. Neste enfoque, alguns aspectos são privilegiados: as relações de género e familiares, os discursos sobre identidade nacional e sobre pertenças territoriais, relações geracionais, e produção cultural.

Irene Rodrigues, antropóloga, professora auxiliar do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa (ISCSP-ULisboa), onde leciona na área das Teorias Contemporâneas da Antropologia, Antropologia Cultural e Social, Área Etnográfica Ásia (China), Consumo, Agência e Mercados Globais, Metodologia de Investigação.Tem pesquisado sobre migração chinesa em Portugal e na China.