Democracias Imperfeitas

Democracias Imperfeitas
Frustrações Populares e Vagas Populistas
Autor(es): 
ISBN: 
978-972-671-579-5
Idioma: 
Português
Data de publicação: 
2020/Apr
Dimensão: 
23x15
Coleção: 
Colecção Geral
Formato: 
Capa Mole
16,00 €14,40 €

Imperfeita por natureza, a democracia provoca tanto a crítica como a desilusão. Este permanente estado de crise e questionamento é o seu calcanhar de Aquiles, mas também a sua grandeza. Hoje nada parece ser capaz de fazer retroceder a onda de populismo que varre o mundo. Os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade recuam um pouco por todo o lado, enquanto as pessoas cedem à tentação do líder forte. Mas estaremos mesmo à beira do colapso da democracia? Face às transformações económicas e políticas em curso em países como a Itália, os Estados Unidos, o Reino Unido e a França, o autor defende que as democracias se reinventarão a si próprias tal como sempre fizeram ao longo dos últimos 200 anos, incorporando elementos externos tais como estado de direito, o liberalismo político, ou o estado social.​

 

Introdução p. 11
   
Capítulo 1 - Da euforia ao desencantamento democrático  p. 21
Capítulo 2 -  A democracia: uma bricolage a longo prazo  p. 43
Capítulo 3 -  O povo – ou como se desembaraçar dele?  p. 67
Capítulo 4 -  A tecnocracia: auxiliar democrático ou bode expiatório do «povo»?  p. 94
Capítulo 5 -  Liberalismo, iliberalismo: ambiguidades fecundas?  p. 123
Capítulo 6-  A explosão populista  p. 151
Capítulo 7 - Radicalizações direitistas  p. 175
Conclusão p. 197
Bibliografia  p. 205

 

Yves Mény é cientista político e antigo presidente do Instituto Universitário Europeu, em Florença. Lecionou também na Universidade de Rennes, em Paris II e na Sciences Po, bem como em muitas outras universidades fora de França. Entre as obras que publicou contam-se La corruption de la République (Fayard, 1992) e, com Yves Surel, Par le peuple, pour le peuple. Le populisme et les démocraties (Fayard, 2000).

A impugnação do modelo de democracia liberal-constitucional ganhou um novo momentum com a crise do subprime. Num contexto em que a democracia do pós-guerra gravitava vazia de concorrência ideológica à altura e mergulhava numa reflexão introspectiva da(s) sua(s) qualidade(s), o mercado, que ajudara a sua consolidação e projeção à escala mundial, propagava-se liberto de controlos e de responsabilidades. Parafraseando Daniel Bell, a escala da democracia, territorialmente circunscrita, tornou-se demasiado pequena para gerir os efeitos da globalização e o mercado tornou-se demasiado poderoso para se render às exigências da política, sejam elas de natureza redistributiva ou regulatória. Nesta obra, Yves Mény percorre com os leitores as insuficiências do modelo de democracia liberal-constitucional do pós-guerra, escalpelizando o «canto das sereias» dos populismos em marcha. A «verdadeira» democracia que os adversários dos sistemas em vigor preconizam, para bem do povo que dizem ter sido abandonado e sistematicamente abusado pelas elites de poder, na realidade nunca existiu. Todavia, as democracias são resilientes. Não é a primeira vez que são contestadas ou odiadas. Aquilo que é a sua maior fraqueza em momentos de crise, a quebra de confiança generalizada, é também o que estimula o seu renascimento. «As democracias», escreve o autor, «foram inventadas, modificadas, adaptadas e estão longe de terem esgotado os recursos da imaginação e da experimentação». A crise que se instalou com esta nova pandemia global, é uma oportunidade única para inovar a democracia.

Luís de Sousa (Instituto de Ciências Sociais, Universidade de Lisboa)

 

Recensão de Henrique Monteiro "O futuro da democracia", in revista-e, Expresso de 30-05-2020.