Kupilikula

Kupilikula
O Poder e o Invisível em Mueda, Moçambique
Autor(es): 
Categoria: 
ISBN: 
978-972-671-235-0
Idioma: 
Português
Data de publicação: 
2009/Sep
Nº Páginas: 
436
Coleção: 
Colecção Geral
Formato: 
Capa Mole
27,00 €24,30 €

No planalto de Mueda, no norte de Moçambique, diz-se que os feiticeiros se alimentam das suas vítimas, por vezes “criando” leões ou transformando-se em leões para devorar, literalmente, a sua carne. Quando o partido FRELIMO, no poder, aderiu ao socialismo, condenou as crenças na feitiçaria e as práticas de contra-feitiçaria dizendo que eram ideias falsas, mas desde que empreendeu a reforma neoliberal, o partido – ainda no poder após três ciclos eleitorais – “tolerou a tradição”, permitindo que a população rural interprete e interaja com os acontecimentos na linguagem da feitiçaria. Agora, quando os leões deambulam pelas aldeias do planalto em busca de presa, os suspeitos de feitiçaria são frequentemente linchados.
Nesta etnografia histórica da feitiçaria, Harry G. West baseia-se numa década de trabalho de campo e conjuga as perspectivas da antropologia e da ciência política para revelar como os habitantes do planalto de Mueda esperam que as autoridades responsáveis vigiem o reino invisível da feitiçaria e deitem por terra ou, como esses habitantes dizem, “kupilikula” os ataques destrutivos dos feiticeiros praticando, elas próprias, uma forma construtiva de contra-feitiçaria. Kupilikula argumenta que, onde as políticas neoliberais fomentaram a divisão social, em vez da segurança e da prosperidade, as populações do planalto usaram, de facto, o discurso da feitiçaria para avaliar e, por vezes, deitar as reformas por terra, apresentando visões alternativas de um mundo transformado.
 

 

Prólogo: Provas imateriais p.17
Introdução p.37
Parte I p.59
Capítulo 1 - O povoamento do planalto de Mueda e a criação dos macondes p.63
Capítulo 2 - Provocação e autoridade, dissidência e solidariedade p.71
Capítulo 3 - Carne, poder e satisfação dos apetites p.79
Capítulo 4 - O reino invisível p.85
Capítulo 5 - Visões que curam p.97
Capítulo 6 - Vítimas ou agressores? p.109
Capítulo 7 - Carreiras complicadas  p.115
Capítulo 8 - Feitiçaria de construção p.129
Parte II  p.139
Capítulo 9 - Conquistadores imaginados  p.147
Capítulo 10 - Consumir o trabalho e os seus produtos  p.161
Capítulo 11 - O cristianismo e a tradição maconde  p.175
Capítulo 12 - Conversa e conversão  p.189
Capítulo 13 - Cristãos, pagãos e feitiçaria p.199
Capítulo 14 - Gente da noite  p.207
Capítulo 15 - Jogos mortíferos de esconde-esconde  p.221
Capítulo 16 - Revolução, ciência e feitiçaria p.231
Capítulo 17 - Reescrevendo a paisagem  p.249
Capítulo 18 - A comunalização da feitiçaria p.261
Capítulo 19 - Autodefesa e enriquecimento pessoal p.269
Parte III p.283
Capítulo 20 - O «ressurgimento da tradição» p.287
Capítulo 21 - A reforma neoliberal e a tradição moçambicana p.295
Capítulo 22 - Um reconhecimento limitado  p.303
Capítulo 23 - Transcendendo as tradições  p.323
Capítulo 24 - Saberes incertos p.337
Capítulo 25 - A sociedade incivil do pós-guerra  p.347
Capítulo 26 - Democratização e/do uso da força  p.355
Capítulo 27 - Governando na penumbra  p.365
Capítulo 28 - Reforma constitucional e suspeita perpétua p.373
Epílogo: Linhas de sucessão p.385
Bibliografia p.393
Índice remissivo  p.419

 

Harry  West, professor no Department of Sociology, Philosophy and Anthropology da University of Exeter (UK) e co-director do Centre for Rural Policy Research, http://socialsciences.exeter.ac.uk/sociology/staff/harrywest/