Seminário de Estudos Pós-Graduados de História

PG Seminars
Fri . 3 Mar . 14h30
Sala Maria de Sousa & Zoom
Seminário de Estudos Pós-Graduados de História
Maria Ignácia Rezola (IHC-FCSH/UNL & ESCS-IPL)

O Próximo SEPG de História ficará a cargo da professor Maria Ignácia Rezola. 

Será no dia 3 de março e será hibrido (presencial e zoom)

Dados curriculares: Investigadora integrada do Instituto de História Contemporânea (IHC-FCSH/UNL) e professora Adjunta da Escola Superior de Comunicação Social do Instituto Politécnico de Lisboa. Doutorada em História pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (especialidade História Institucional e Política Contemporânea). É autora de obras como 25 de Abril – Mitos de uma Revolução (Esfera dos Livros, 2007); Melo Antunes, uma biografia política (Âncora, 2012); Democracia, Ditadura, Memória e Justiça Política (com Irene Pimentel, Tinta da China, 2014); Dicionário de História de Portugal – o 25 de Abril. 8 Vols. (com A. Reis e P. B. Santos. Figueirinhas, 2016-2018). Os seus interesses de investigação incluem autoritarismo; mudança política; democratização e justiça de transição; relações igreja-estado; história dos media; media e memória.

Título: As batalhas da História e da memória: Salazar e o Salazarismo na Imprensa Portuguesa.

Resumo: Conhecido pelo seu clima ameno, Portugal viveu um Verão particularmente quente em 2019. Em causa, o debate que mobilizou a intelectualidade e a opinião pública nacional, sobre a criação de um museu de história da Ditadura em Santa Comba Dão, pequena cidade do interior do país onde nasceu Oliveira Salazar.  Não tardaram a surgir vozes que lembraram as romarias fascistas ao tumulo e casa de Benito Mussolini em Predappio (Itália). Apesar da garantia dos promotores do projeto de que em causa estava a criação de um centro interpretativo da ditadura portuguesa, o projeto caiu por terra perante a forte contestação.

Não foi esta a primeira vez, no quase já meio século de democracia, que a ditadura e a sua história foram debatidas na praça pública polarizando posições. Recorde-se, a este respeito, a polémica vitória de Salazar no concurso televisivo «Grandes Portuguese» (baseado no programa de êxito da BBC «Greatest Britons») (2006) ou a fortíssima controvérsia desencadeado pelo historiador Manuel Loff a propósito da visão historiográfica do Salazarismo do historiador Rui Ramos (2012).

Tendo em conta que os media têm um lugar de destaque na produção de uma memória pública e de uma ideia de história, propomo-nos analisar estes três debates que tiveram como arena fundamental a imprensa periódica. Ainda que as sondagens costumem relevar que portugueses são um povo reconciliado com o seu passado, estas irrupções periódicas da memória deixam patente uma realidade distinta, constituindo peças fundamentais para debater as interpretações históricas sobre o salazarismo (fascismo? autoritarismo?) assim como a construção da memória da ditadura portuguesa.

Palavras-chave: Ditadura Portuguesa - Politicas da memória - Media e memória - História Pública