Mulheres e resistência anti racista - Combates interseccionais

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Wed . 15 May . 14h00
Mulheres e resistência anti racista - Combates interseccionais

A mesa redonda Mulheres e Resistência Anti Racista terá lugar no ICS-ULisboa, no dia 15 de maio, com Elisabete Borges (Jangada D'Emoções), Erica Acosta (Casa do Brasil de Lisboa e Rede Sem Fronteiras), Janica Ndela (UMAR e MIPP-PALOP),  Jéssica Ribeiro (Frente Anti-Racista e Vida Justa) e Marlise Nunes (Associação Megativo). Pelas 14h, na Sala Maria de Sousa e online.

As mulheres e o feminismo têm sido fundamentais na luta contra o racismo e a desigualdade, através da participação continuada e da efetiva liderança nos movimentos de direitos civis e de combate interseccional em todo o mundo. As suas contribuições abrangem múltiplas esferas, desde o ativismo de base até ao discurso intelectual, cruzando-se frequentemente com questões de género e de classe. Historicamente, mulheres como Rosa Parks, cuja recusa em ceder o seu lugar deu início ao boicote aos autocarros de Montgomery, e ativistas como Angela Davis, que passou décadas a desafiar o racismo sistémico e a defender a mudança social, tornaram-se figuras emblemáticas. Na atualidade, a presença de mulheres em movimentos como o Black Lives Matter tem sido fundamental. Muitas mulheres têm tido, aliás, ao longo da história recente, um papel central nos movimentos de resistência e combate contra a opressão e a injustiça racial e de género.

No contexto português, 50 anos depois da Revolução de Abril, a realidade não é diferente. As mulheres têm um inegável protagonismo nas lutas sociais. As mulheres da nossa mesa-redonda, bem como inúmeras outras, demonstram o poder do ativismo intersecional, sublinhando que a luta contra o racismo não pode ser separada da luta contra o sexismo e outras formas de opressão. Ajudaram a alargar a conversa sobre raça de modo a incluir experiências diversificadas de tantas mulheres cujas vidas são moldadas por múltiplas e interseccionadas formas de discriminação. O seu trabalho tem envolvido a organização de base, a influência de políticas, a criação de espaços inclusivos de diálogo e apoio e a educação de outros sobre os impactos do racismo e da discriminação, em geral. Através de múltiplas ações, as mulheres são uma força motriz nas batalhas em curso, dando forma a uma sociedade mais justa e equitativa para todos. A mesa-redonda abre o debate sobre os desafios do presente, as heranças do passado no contexto português, e as mobilizações para o futuro.

Organização:  Project Race Trouble (FCT-2022.04225.PTDC.), Thaís Brito e Sofia Aboim

RACE TROUBLE é um projeto exploratório, financiado pela FCT, sobre as categorias raciais historicamente construídas no contexto português e a desigualdade racial que ainda hoje se mantém no Portugal pós-colonial.