IV Encontro de Ecologia Política - Territórios e Resistência

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Fri . 30 May . 09h30 to 23h59
IV Encontro de Ecologia Política - Territórios e Resistência

The Political Ecology Network is organizing the IV Political Ecology Meeting on the theme Territories and Resistances, from May 23 to 25 in Coimbra, and from May 30 to June 1 in Lisbon.

As fronteiras do capitalismo avançam e aumentam a procura de novos territórios para a acumulação de riqueza e de poder. Perante a destruição de territórios e das suas comunidades humanas e não humanas, vemos surgir um pluriverso de resistências em defesa da vida. Das aldeias do Barroso contra as minas, ao Alentejo perante o cerco das monoculturas, às lutas pela habitação e contra a violência policial nas cidades, as populações resistem ao extrativismo predatório e procuram fazer viver os seus territórios. Dessas e outras lutas, surgem máximas sobre a centralidade do território como conceito e prática. Dizem-nos que “o território é a dignidade, e isso não tem preço" ou que “o território é a vida, e a vida não se vende, se ama e se defende”, sugerindo que território vai além da sua assunção hegemónica.

Neste Encontro, procuramos desafiar e confrontar as narrativas e as práticas dominantes de território como ‘propriedade’ ou ‘recurso’ a ser controlado, colonizado, desenvolvido, explorado e sacrificado. Olhar para os territórios enquanto espaço geo-político-económico permite-nos entender as dinâmicas extrativistas do capitalismo, ao mesmo tempo que nos possibilita avançar entendimentos e práticas alternativas dos/sobre/com os territórios. Queremos olhar para o(s) território(s) como lugares de organização coletiva e de resistência(s), como forma de recriar a cultura e a relação  entre pessoas e as ecologias não-humanas que as sustentam. Os territórios terrestres, rurais e urbanos, mas também os marítimos (‘maretorio’), os digitais, os virtuais e os ideológicos. Território não como espaço físico fora de nós, mas enquanto corpo que liga as vivências - assim como as violências - entre o nosso entorno e o nosso ser. Procuramos também entender as diferentes formas de resistência, humana e não-humana, a sua ‘ecologia’ (como interagem entre si), reflexões de territorialidade, e as possibilidades de se tornarem formas de re-existência, de fazer territórios de vida, de criar novas utopias e futuros possíveis. Para além disso, queremos também entender os territórios de violência, de re-patriacalização e de re-colonização e os múltiplos contextos da produção de ausências dessas resistências, num contexto de exaustão dos corpos-territórios. A nossa intenção não é essencializar o território como a escala predileta de análises e de ação política, mas expandir o entendimento próprio do que é um território - a sua relevância, limitações, contradições e potencialidades para as resistências e re/existências político-ecológicas.

O Encontro é organizado por um coletivo emergente de grupos e pessoas constituídas  na Rede de Ecologia Política, que inclui: o Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra, por meio da Oficina de Ecologia e Sociedade (ECOSOC) e com apoio do projeto TRANS-Lighthouses; o Centro de Investigação en Antropologia e Saùde; o Centro em Rede de Investigação em Antropologia (CRIA); o Iscte-Instituto Universitario de Lisboa; o Instituto de Ciencias Sociais da Universidade de Lisboa (ICS-ULisboa);  o grupo de investigação Ambiente, Território e Sociedade (SHIFT) da UL; a Malha Cooperativa; e o Jornal MAPA; além do apio e colaboração de outras instituições e coletivos incluindo o Núcleo de Antropologia Visual da Universidade de Coimbra, a Real República de Bota-Abaixo, a República dos Inkas, a Cooperativa Rizoma, Coletivo à Mesa, e o coletivo La Salsa del Pueblo.

O Encontro aspira ele próprio ser um território de sentir, pensar e agir juntos para trocar conhecimentos e potenciar colaborações e sinergias entre territórios, movimentos, lutas e resistências, dentro e fora da academia, incluindo ativistas e comunidades locais.  Para isso, incluimos no Programa uma diversidade de propostas académicas, artísticas, de organizações cívicas e de movimentos sociais, incluindo comunicações, oficinas, rodas de conversa, filmes, exposições fotográficas, e outras intervenções criativas.