Atitudes políticas dos portugueses em perspectiva comparada

Atitudes políticas dos portugueses em perspectiva comparada

Estudo dos padrões e tendências de mudança na cultura política portuguesa numa perspectva comparada, incluindo apoio ao regime democrático, desafeição política, satisfação com o funcionamento da democracia e confiança nas instituições.
Estatuto: 
Proponent entity
Keywords: 
cultura política
atitudes políticas
opinião pública
Estudo dos padrões e tendências de mudança na cultura política portuguesa numa perspectva comparada, incluindo apoio ao regime democrático, desafeição política, satisfação com o funcionamento da democracia e confiança nas instituições.
Objectivos: 
Recolha de dados empíricos sobre valores e atitudes políticas; análise comparativa com padrões das democracias industrializadas; publicação de capítulos de livros e artigos sobre o tema.
State of the art: 
Quais as atitudes dos portugueses em relação ao regime político e às suas instituições e actores políticos fundamentais? <br> <br>As conclusões mais pessimistas têm sido avançadas por estudos de natureza qualitativa. Wiarda e Mott, por exemplo, detectam em Portugal (e Espanha) a permanência de sintomas de uma cultura política "corporativa", "autoritária" e "iliberal", vistos em grande medida como o resultado de "uma fusão entre crenças católicas e modernos governos democráticos" (2001: 103). <br> <br>O retrato alternativo resulta dos estudos que utilizam dados quantitativos recolhidos por meio de inquéritos de opinião é porventura menos negativo. Eles mostram que a democracia portuguesa se encontra plenamente consolidada do ponto de vista atitudinal. Em meados dos anos 80, o apoio à democracia em Portugal já se situava a um nível "médio-alto", apesar da permanência de algumas "bolsas" de preferências "autoritárias" (Vala, Heimer e Viegas, 1990) e de os níveis de "apoio difuso" ao regime permanecerem inferiores aos verificados nas restantes novas democracias da Europa do Sul (Morlino e Montero, 1995). Estudos posteriores detectaram até um aumento da legitimidade da democracia em Portugal dos anos 80 para os anos 90, para níveis superiores aos verificados, por exemplo, em Espanha, Itália, e mesmo outras democracias ocidentais da "primeira" e "segunda vagas" (Montero, Gunther e Torcal, 1997). <br> <br>Contudo, mesmo estes estudos que utilizam predomionantemente dados de opinião revelam a evolução das atitudes dos portugueses em relação ao regime, ás suas instituições e aos seus actores políticos não é inequivocamente favorável, acabando em parte por convergir com os estudos quantitativos que detectam uma geral hostilidade dos portugueses em relação a muitos actores políticos. Assim, apesar do nível de satisfação dos portugueses com o desempenho da democracia se situar, no quadro europeu, a um nível intermédio, Portugal é também um dos países da União Europeia (logo depois da Alemanha, da Grécia e da Bélgica) onde o declínio dessa satisfação foi mais acentuado dos anos 80 até hoje (Freire, 2002). Segundo Freire, o facto deste período ter sido precisamente caracterizado por estabilidade governativa e crescimento económico ? dois factores que se sabe aumentarem a satisfação com a democracia e as suas instituições ? faz com que "as evoluções mais recentes dos níveis de satisfação com a democracia portuguesa [possam] ser encaradas com alguma preocupação" (Freire, 2002). Um dos particulares objectos dessa insatisfação parece ser o sistema partidário. Torcal, Gunther e Montero (2002) sugerem que a maioria dos portugueses exibe sentimentos de um arreigado "anti-partidarismo cultural" ? uma "simples rejeição dos partidos em geral" (2002:263) ?, rejeição que parece ter passado imune pela transição dos anos 80 para os anos 90.
Coordenador ICS 
Start Date: 
02/12/2002
End Date: 
01/12/2006
Duração: 
48 meses
Closed