Apresentação dos resultados da sondagem "Os Portugueses e o 25 de Abril"

Apresentação dos resultados da sondagem "Os Portugueses e o 25 de Abril"

Os resultados da sondagem Os portugueses e o 25 de abril foram apresentados a 19 de abril, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa. A sessão foi conduzida pelo jornalista Ricardo Costa, e contou com a presença do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa; do Presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco; da ministra da Juventude e da Modernização, Margarida Balseiro Lopes; e da Comissária Executiva da Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril, Maria Inácia Rezola. Os resultados da sondagem foram apresentados por Pedro Magalhães (ICS-ULisboa) e das investigadoras Filipa Raimundo (ISCTE-IUL) e Filipa Madeira (ICS-ULisboa).

A sondagem, baseada num inquérito a uma amostra representativa da população adulta portuguesa com cerca de 1200 inquiridos, foi coordenada por uma equipa do ICS-ULisboa e do Iscte-IUL, em parceria com o jornal Expresso, a SIC e a Comissão Comemorativa dos 50 anos do 25 de abril. O questionário reproduziu integralmente as questões colocadas em dois estudos anteriores, realizados em 2004 e 2014. A par do lugar do 25 de Abril como facto histórico, abordaram-se temas como as atitudes em relação ao regime anterior, ao 25 de Abril e à democracia; o grau de conhecimento sobre figuras políticas e militares da época; as opiniões sobre a Constituição Portuguesa; e as perceções sobre os aspetos da vida em Portugal que mais melhoraram ou pioraram nos últimos 50 anos.

Na abertura da sessão, Maria Inácia Rezola referiu que “o Portugal democrático que conhecemos nasceu com o 25 de Abril”, considerando que a poucos dias de se comemorarem os 50 anos desse momento fundador, “é emocionante ver como o país se está a organizar para celebrar a conquista da liberdade e da democracia”. A historiadora acrescentou ainda que a sondagem revela que “a democracia é um ser vivo e exigente” e que “as comemorações só fazem sentido se nos permitirem conhecer a história, para poder perspetivar o futuro”.

Os resultados foram apresentados por Pedro Magalhães (ICS-ULisboa), coordenador do estudo, e pelas investigadoras Filipa Raimundo (ISCTE-IUL) e Filipa Madeira (ICS-ULisboa).

 

O estudo conclui que, tal como nos inquértos de 2004 e 2014, a revolução de 25 de abril de 1974 é considerada como o facto mais importante para a história de Portugal por 65% dos inquiridos. No entanto, este valor representa um aumento significativo em relação aos estudos anteriores (2004: 52%; 2014: 59%). Metade dos inquiridos consideraram que o regime que existia antes do 25 de abril deveria passar à história como “um período que teve mais coisas negativas que positivas”, e 59% considera que os responsáveis políticos do regime anterior “deviam ter sido julgados pelos atos de repressão política que foram cometidos”. Os resultados completos estão disponíveis para consulta.

No que toca à atual democracia portuguesa, Filipa Madeira destacou que 67% dos inquiridos consideram Portugal tão democrático quanto outros países europeus e acrescentou que esta é uma visão que tem crescido desde 2004. Aproveitou ainda para salientar que a visão dos portugueses relativamente ao passado colonial do país é predominantemente positiva, narrativa que, segundo a investigadora, foi criada durante o Estado Novo e que perdura até hoje.

A equipa do estudo coordenado por Pedro Magalhães (ICS-ULisboa) foi composta por Alice Ramos (ICS-ULisboa), Filipa Madeira (ICS-ULisboa), Filipa Raimundo (Iscte-IUL), Isabel Flores (Iscte-IUL), José Santana Pereira (Iscte-IUL), Lea Heyne (ICS-ULisboa), Luís Cabrita (ICS-ULisboa), Luca Manucci (ICS-ULisboa) e Paula Vicente (Iscte-IUL), com o apoio de Gonçalo Ceia e Lúcio Hanenberg.

 

Após a apresentação dos dados da sondagem seguiu-se um debate para análise dos principais resultados, com a moderação de Ricardo Costa e os comentários de Miguel Poiares Maduro e de Mariana Lima Cunha. Ricardo Costa destacou que “em comparação com os estudos anteriores, a o 25 de Abril tem ganho, com o passar dos anos, mais relevância para os portugueses”. Para Miguel Poiares Maduro, antigo ministro Adjunto e do Desenvolvimento Regional, o facto de “quase 50% dos portugueses acharem que a ditadura tenha tido tanto de positivo como de negativo e que quase um quarto da população faça uma avaliação positiva do Estado Novo” é uma preocupação. Apesar disso, o antigo governante indicou estar positivamente surpreendido com “a satisfação crescente dos portugueses com o regime democrático”. Na sua opinião, este facto “contraria a tendência de outros países e contraria também o crescimento recente do populismo em Portugal”.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, afirmou ter receado que “a conjuntura, tanto nacional como internacional, fosse influenciar a visão estrutural dos portugueses em relação ao 25 de Abril”, mas indicou ter sido surpreendido pela positiva, e destacou que “a direita partilha do mesmo orgulho na transição pacífica que a esquerda”, considerando que isto demonstra que “o 25 de Abril é nacional”.