Arte Popular e Nação no Estado Novo

Arte Popular e Nação no Estado Novo
A Política Folclorista do Secretariado de Propaganda Nacional
Autor(es): 
Categoria: 
ISBN: 
978-972-671-308-1
Idioma: 
Português
Data de publicação: 
2013/Mar
Dimensão: 
23x15
Nº Páginas: 
325
Coleção: 
Colecção Geral
Formato: 
Capa Mole
22,00 €19,80 €

A generalidade da investigação tem olhado para o conjunto das práticas e dos discursos etnográficos promovidos pelo Secretariado da Propaganda Nacional (SPN) entre 1933 e 1950 como um epifenómeno da ideologia conservadora e ruralista, dominante no pensamento de Salazar. Este livro mostra-nos como tais análises deixam de fora aspectos decisivos da intervenção folclorista do SPN/SNI. A partir das teorias desenvolvidas pela antropologia e outras ciências sociais em torno dos usos nacionalistas da cultura popular, Vera Marques Alves relaciona os contornos de tal política com os caminhos que a etnografia portuguesa vinha seguindo nas décadas anteriores à institucionalização do Estado Novo, ao mesmo tempo que revela que o seu desenho deve muito ao próprio trajecto modernista e cosmopolita do primeiro director do SPN, António Ferro. A autora defende, ainda, que é impossível explicar a campanha etnográfica do SPN, sem dar atenção ao contexto internacional de circulação de ideias em que as mesmas se enquadram. De resto, este livro torna bem patente a insistência de Ferro na exibição da «arte rústica portuguesa» em palcos internacionais, revelando assim que as iniciativas folcloristas desenvolvidas por este organismo não podem ser compreendidas sem considerarmos a sua configuração enquanto instrumento de reafirmação simbólica das fronteiras da nação, num período em que os processos de utilização identitária do folclore e da cultura popular são comuns

 

Introdução p. 15
1. Panorama da actividade folclorista do SPN/SNI p. 27
2. A arte popular como instrumento de celebração de Portugal entre os portugueses p. 77
3. A selecção dos materiais da cultura popular, I: autenticidade e bom gosto p. 113
4. A selecção dos materiais da cultura popular, II: um país de "camponeses estetas" p. 165
5. O quadro institucional da política folclorista do SPN/SNI p. 237
Conclusão p. 291
Bibliografia e fontes p. 297
Índice remissivo p. 315

 

Vera Marques Alves doutorou-se em 2008 no ISCTE-IUL com a tese “‘Camponeses Estetas’ no Estado Novo: arte popular e nação na política folclorista do Secretariado da Propaganda Nacional”. Colaborou em diversas obras colectivas – “Vozes do Povo: A Folclorização em Portugal” (2003), “Enciclopédia da Música em Portugal no século XX” (2010) e “Como Se Faz um Povo” (2010). Entre 2011 e 2015 foi professora auxiliar convidada na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, onde lecionou diversas cadeiras na licenciatura em Antropologia e no mestrado em Antropologia Social e Cultural. É investigadora do CRIA, sendo as suas principais áreas de interesse as políticas e representações da arte popular, identidade nacional e os museus etnográficos.