O presente pentecostal em movimento: transformação religiosa das temporalidades no sul do Benim

GI Seminars
Thu . 16 Jan . 11h00
Sala 3 - ICS-ULisboa & Online
O presente pentecostal em movimento: transformação religiosa das temporalidades no sul do Benim
Organização: 
GI Diversidades

No dia 16 de janeiro, Carla Bertin (Centro de Estudos Internacionais/Iscte–Instituto Universitário de Lisboa) será a oradora convidada do Seminário do Grupo de Investigação Diversidades. O tema para esta sessão será O presente pentecostal em movimento: transformação religiosa das temporalidades no sul do Benim. A partir das 11h, na Sala 3.

O pentecostalismo em contextos pós-coloniais é frequentemente associado a uma temporalidade milenarista, centrada na espera pelo fim do mundo. No entanto, durante 14 meses de pesquisa etnográfica no sul rural do Benim, observei que temas como o Juízo Final ou a vinda de Cristo eram pouco relevantes para os fiéis pentecostais locais. Em vez disso, seu foco estava na busca por uma vida boa e digna. No sul do Benim, essa vida boa é vivida como um ‘presente em movimento’, descrito por metáforas espaciais. A apresentação examina como rituais, especialmente a oração, utilizam essas metáforas incorporadas para transformar e disciplinar o tempo e as formas de espera. Embora compartilhem aspirações semelhantes às de seus vizinhos – enriquecer, construir casas, desenvolver suas aldeias – os pentecostais desenvolvem formas particulares de projetar-se no tempo, lidando com passados, futuros, incertezas e frustrações.

Carla Bertin concluiu o seu doutoramento em Antropologia na École des Hautes Études en Sciences Sociales, na França. A sua tese focou o pentecostalismo, as temporalidades e a construção de espaços religiosos nas zonas rurais do Benim meridional. Atualmente, é investigadora de pós-doutoramento no Iscte-Instituto Universitário de Lisboa. No âmbito do projeto ERC ‘The Afterlives of Development Interventions in Eastern Africa’, desenvolve um estudo sobre os vestígios de um megaprojeto agrícola estatal no sul de Moçambique, datado dos períodos colonial e socialista, com foco em questões de materialidade, memória e afetividade.