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da faculdade. Como a informação contida nestes materiais era, na maioria dos casos, de natureza
visual, estes objectos viriam a revelar-se de ordenação e organização problemática, tendo em vista a
evidente necessidade de garantir um acesso eficaz e imediato a cada um deles (Moreira, 2013).
De facto, não era possível, de memória, localizar no repositório este ou aquele objecto
particular, por entre os milhares de casos clínicos cujos registos se acumulavam em depósito.
Instituições estatais como os hospitais ou os serviços médico-forenses deparavam-se no dia-a-dia
com uma elevada quantidade de
casos individuais
que passavam pela sua jurisdição científica. O
resultado era a entrada diária de uma quantidade
massiva
de documentos e materiais relativos a
cada um destes casos, que necessitavam de ser convenientemente arquivados. A natureza visual e a
materialidade de muitos objectos e documentos (fotografias, radiografias, desenhos, etc.), tornavam
o processo de inventariação e classificação muito complexo. Não obstante, era fundamental
preservar a individualidade e a particularidade de cada um destes casos, nos quais se inscrevia o
valor da experiência científica e clínica.
O problema de organização do arquivo clínico não era assim muito diferente do problema
vivido, por exemplo, nos serviços de medicina forense, confrontados com a massificação do volume
de casos criminais que chegavam regularmente ao instituto. Ainda em 1914, Azevedo Neves se
lamentava, no próprio
Archivo de Medicina Legal
, da sua incapacidade para organizar tanto o arquivo
como o museu do instituto.
«Não vejo maneira de fazer estatísticas, nem as fichas indispensáveis para, rapidamente, encontrar um
«caso» de que careça para uma demonstração didática. (…) Como poderei reter de memória em cerca de 13.000
exames, que tantos teem passado pelo Instituto depois que o dirijo, os «casos» de que preciso, hoje, para uma
lição sobre enforcamento, os de que careço, amanhã, para uma demonstração de lesões traumáticas, etc.? (…) E
depois todo o arquivo está um verdadeiro caos, que a tentativa de organização feita o ano passado não conseguiu
fazer desaparecer» (Neves, 1914: 32).
A solução encontrada pelos arquivistas do Hospital Escolar foi recorrer a um modelo de
organização estatística, tal como havia feito Alphonse Bertillon (1853-1922) com os registos criminais
na Polícia de Paris, corria a década de 1880. Os métodos utilizados por Bertillon para resolver as
dificuldades impostas pelo volume e a quantidade de registos visuais, que serviam de prova final à
identificação de criminosos reincidentes, foram replicados em muitas das instituições burocráticas do
mundo moderno que necessitavam de lidar com quantidades massivas de objectos individualizados
(cf. Anderson, 2013). Do ponto de vista destas instituições era importante tornar os arquivos
operacionais, e os modelos estatísticos e antropométricos de Bertillon, em torno da curva de
distribuição normal de Gauss, forneceram um princípio classificatório que permitia agrupar os
registos individuais em conjuntos de fichas facilmente manipuláveis (cf. Sekula, 1986). Da perspectiva
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