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2016
Figura 2 – «O que todos devem saber para combater o cancro».
Painel da Primeira
Exposição de Propaganda de Luta contra o Cancro, inaugurada a 29 de Outubro de 1940.
Fonte: Biblioteca de Arte Gulbenkian,
Colecção Mário Novais.
A par das imagens, os factores de risco eram apresentados num pequeno quadro contendo
um texto, onde se enumerava, em articulação com as imagens dos painéis, a «falta de higiene», o
«abuso de álcool», a «alimentação em excesso», os «corantes alimentares», as «anilinas», «o sol»,
«o tabaco», os «operários que trabalham com óleos minerais e que manipulam o carvão», «o
alcatrão», identificando assim factores de irritação potencialmente cancerosa. Não incluídos, o
arsénio, os raios-X e a radioactividade faziam naturalmente também parte de uma lista crescente de
elementos potencialmente cancerígenos.
Contudo, o cancro não era visto como um fenómeno exclusivo das classes operárias. A sua
acção não conhecia barreiras de classe, pelo que a medicina oncológica tinha uma abrangência
potencialmente universal. Nesse sentido, o cancro será, provavelmente, a primeira grande epidemia
de uma modernidade tardia. Para a sua compreensão foi necessário desenvolver complexas
estruturas científicas e hospitalares e um conhecimento médico-científico especializado, bem como
instrumentos de compreensão epidemiológica e de prevenção distintos do que havia sido, até então,
realizado no âmbito das patologias de origem bacteriológica ou viral, que foram o principal objecto
de estudo da medicina oitocentista, até ao surgimento, já no século XX, das terapias anti-
microbianas.
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