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2016
Figura 1 – Pavilhão do Rádio do IPO (Carlos Chambers Ramos), 1933.
Fonte: Biblioteca de Arte Gulbenkian,
Colecção Mário Novais
.
Tendo em conta o seu desenvolvimento institucional, podemos dizer que o projecto
hospitalar do Instituto Português de Oncologia (IPO) se ancorou desde o início em duas vertentes:
uma científico-tecnológica, decorrente do aparecimento e do uso das terapias radiológicas, e uma
outra burocrático-institucional, assente por um lado (1) em novos modelos de organização e
assistência hospitalar, desenvolvidos pelo instituto num novo contexto político orientado para o
aprofundamento da missão social do Estado e, por outro lado, (2) em veículos de propaganda médica
e social desenvolvidos pelo instituto, no que era assistido pela acção da Liga Portuguesa Contra o
Cancro.
A Produção do Risco Oncológico: Arquivo, Estatística e
Categorização do Espaço Social
Para compreendermos melhor a relação entre as actividades médica e científica e a
formação de uma noção de risco oncológico, no modo como ela veio a desenvolver-se no projecto
institucional do IPO, interessar-nos-á aqui olhar de perto para dois objectos concretos resultantes da
actividade deste instituto. O primeiro é o seu
arquivo clínico
, a par das suas colecções hospitalares; o
outro é a
mensagem da propaganda médica e social
difundida entre as populações e os inúmeros
médicos de província distribuídos pelo país.
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