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2016

A previsibilidade de certos cancros profissionais e a sua replicação laboratorial motivou

algumas formas de prevenção do risco oncológico, nomeadamente pela eliminação do contacto do

trabalhador com a substância cancerígena.

«Se, num ponto determinado do organismo, incidirem repetidas vezes factores irritativos ou

inflamatórios, pode acontecer que a proliferação das células a que eles dão origem, (…) acabe por tomar o

carácter dum hábito que persiste para alem da causa que lhe deu origem. As células começarão então a proliferar

por sua conta, podendo desse modo originar um cancro.

É este o processo de que nos servimos nos laboratórios para provocar, por exemplo, o cancro em

animais com pinceladas de alcatrão. As irritações crónicas têm importância na patologia humana, porque são a

causa de certos cancros chamados profissionais e que aparecem nos operários que trabalham no alcatrão e outros

produtos químicos cancerígenos. É importante conhecer a evolução das lesões produzidas por estas substâncias,

porque um exame periódico dos trabalhadores permite afastar do contacto dos produtos tóxicos os indivíduos em

que as lesões irritativas começam a tomar o aspecto das que vão transformar-se em cancros» (Loureiro, 1936).

A ideia do risco profissional associada à prevenção do cancro tornou-se por esses anos uma das

mensagens públicas mais difundidas pelo instituto. Na 1.ª Exposição de Propaganda de Luta Contra o

Cancro, inaugurada em Lisboa a 29 de Outubro de 1940, foi apresentado um painel dedicado à

profilaxia do cancro. Este, contudo, mais do que um conjunto de medidas a tomar com vista à

prevenção, apresentava-se como um quadro expositivo dedicado a um conjunto de profissões de

risco que configuravam, notoriamente, alguns dos sectores económicos mais relevantes do regime

político vigente. Entre algumas profissões

tradicionais

, como sejam as relativas à lavoura ou à pesca,

e outras mais características do processo de modernização em curso, este painel expositivo

apresentava publicamente alguns dos factores de risco presentes no seio da sociedade portuguesa, e

agrupava sob o mesmo referencial do perigo do cancro esse conjunto de actividades económicas

fundamentais (agrícolas e industriais), acabando por sugerir, nesses termos, uma justificação para a

necessidade de apoio à causa da medicina oncológica e à educação social, pela evidência de um

custo para a saúde próprio do trabalho e do consequente desenvolvimento económico.

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