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2016
Tabela 1 - Doentes novos por ano
Ano
n.º de doentes novos
1928
952
1929
1522
1930
1992
1931
2226
1932
2406
1933
1714
Fonte: Boletim do IPO, vol. 1, n.º 1, Janeiro de 1934.
«Agir a tempo» ou «estar atento aos sinais» eram palavras chave nas campanhas de Luta
Contra o Cancro focadas, sobretudo, no papel da prevenção e na educação para a compreensão dos
riscos associados a determinados contextos sociais. Nesse aspecto, é notável que a primeira grande
dotação financeira do IPO tenha vindo por meio do Instituto de Seguros Sociais Obrigatórios (1919)
, 6cuja principal missão era actuar ao nível da segurança social, através de regimes de seguros
obrigatórios para a intervenção social e a atribuição de pensões em caso de doença, acidentes de
trabalho, invalidez e velhice. Mas é também importante realçar a consciência entretanto criada entre
os clínicos e médicos oncologistas de que há práticas laborais potencialmente perigosas, passíveis de
serem hoje consideradas como profissões de risco.
Assim, posteriormente à individualização do perigo social do cancro através da elaboração de
registos em torno dos casos clínicos individuais, a acumulação destes registos permitiu operar uma
redistribuição conceptual e epidemiológica do risco oncológico, pela determinação de grupos sociais
ou comportamentais mais afectados pelo perigo do cancro. A intersecção destas observações
epidemiológicas com a investigação laboratorial fez-se, desde logo, através dos trabalhos de cancro
experimental liderados por Simões Raposo (Raposo, 1930). As patologias profusamente observadas
nas populações foram então reproduzidas em contexto de laboratório pelo uso de substâncias
patogénicas sobre animais, traduzindo assim, por uma analogia prática, um conjunto de
casos
clínicos
similares observados em contexto clínico num conjunto infindável de espécimes
laboratoriais, com o propósito de fornecer os dados necessários à compreensão da etiologia de
certas patologias tumorais. Este paralelismo entre a clínica e o laboratório foi já notado por Michael
Lynch, quando salientou o carácter artefactual da patologia e a mesma natureza artificial dos dados
laboratoriais: «Tal como um “caso” na medicina é simultaneamente mais e menos do que um
paciente individual, um “animal” para os praticantes de laboratório constitui uma versão reduzida e
extraída do rato de laboratório» (Lynch, 1988.: 272).
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Cf. Decreto n.º 13.098, de 1927.
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