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2016

proximidade com a

[nome da enteada]

quando ela tinha a mesma idade (…)

[o que fez]

com

que tivéssemos de construir a relação com base nisso (...).”

Ser pai e ser padrasto são lugares

distintos, embora se possam equivaler entre si no dia-a-dia. Apesar de o pai biológico do

enteado ser, quase sempre, uma figura presente, isso não impede o padrasto de se sentir e agir

como pai do enteado, numa lógica de co-paternidade:

(...) o pai não é abandonante, mas agora

há uma coisa que é óbvia, é que o pai não está com ela todos os dias, quem está com ela sou

eu”

(Nuno).

Nos quatro casos aqui analisados, os padrastos vivem no mínimo há 6 meses e no máximo há

15 anos com os enteados. No momento inicial da relação, os enteados tinham entre 3 e 10

anos de idade. Em dois casos são também pais biológicos; um no âmbito de uma conjugalidade

anterior e outro no âmbito da actual conjugalidade. Em termos de escolaridade, destaca-se a

tendência para as mulheres apresentarem um nível de escolaridade ligeiramente superior ao

dos maridos/companheiros. Enquanto elas possuem no mínimo uma licenciatura, eles

possuem entre o ensino secundário e o doutoramento. Ambos desempenham profissões

qualificadas e bem remuneradas. Trata-se, por isso, de uma lógica característica de meios

socialmente favorecidos.

A Demissão Parental do «Padrasto Distante»

(5 casos)

A lógica da demissão parental caracteriza-se pela indisponibilidade do padrasto para interagir

com o enteado. Independentemente da idade e do género deste, o padrasto não participa nos

cuidados prestados (a mãe é a única cuidadora), não desenvolve quaisquer actividades e a

comunicação limita-se ao essencial. O laço padrasto-enteado caracteriza-se pela distância

estatutária e pela forte mediação materna. O seu lugar em contexto de recomposição familiar é

o de companheiro da mãe e sente o enteado como um «filho por empréstimo». Embora

estabeleça uma forte distinção entre ser pai e ser padrasto, a relação mantida com os filhos é

em tudo semelhante à relação com os enteados. Trata-se, em ambos os casos, de relações em

que investem pouco. Nos casos em que o padrasto é pai de filhos anteriores, a tendência é

para haver um distanciamento crescente entre pai e filhos após a ruptura conjugal. Francisco

(37 anos, 12.º ano, chefe empresa do ramo informático, 1 filho anterior, 3 enteados, 5 anos de

recomposição familiar) define do seguinte modo a sua forma de ser pai: “

Eu sou um péssimo

pai. Eu sou péssimo pai. E não tenho aquelas atitudes do… de andar com o miúdo às cavalitas,

rebolar no chão com o miúdo, ir jogar à bola com o miúdo, até porque nem gosto de jogar

futebol…”.