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2016

Por último, também nas lógicas da dualidade parental do padrasto estatutário e da demissão

parental do padrasto distante, o destaque vai para a posição adoptada pelo padrasto face à

parentalidade recomposta. Porém, ao contrário dos dois tipos anteriores, estes mantêm uma

relação distante com os enteados, fortemente mediada pela figura materna. No caso dos

padrastos estatutários, essa distância está associada a uma diferença significativa entre o modo

como são pais e o modo como são padrastos. A relação com os filhos é, a todos os níveis,

marcada por uma maior proximidade e intimidade relacional. Pelo contrário, no caso dos

padrastos distantes a relação com os enteados parece prolongar o tipo de relação mantida com

os filhos, quase sempre sentida como uma relação pouco gratificante tanto do ponto de vista

simbólico como em termos afectivos. Por outro lado, enquanto no primeiro caso a mãe procura

um pai para os filhos e depara-se com a indisponibilidade do padrasto em partilhar o espaço

parental, no segundo caso, a forte autonomia materna parece adaptar-se bem à ausência de

vontade do padrasto em envolver-se mais na vida familiar.

Uma segunda conclusão remete para a influência complexa das variáveis estruturais,

designadamente o contexto socioprofissional, na construção do lugar do padrasto. Os

padrastos envolvidos (lógica da pluralidade parental) e os reivindicativos (lógica da co-

parentalização progressiva) são maioritariamente oriundos de meios sociais favorecidos,

possuem formação superior e exercem actividades profissionais qualificadas e bem

remuneradas. Em seu entender, o lugar do padrasto é um lugar que se constrói por via de um

processo de construção relacional dos laços familiares (Singly, 1993). O padrasto desempenha

aqui um papel activo na vida do enteado, assumindo ou procurando assumir um lugar central

na sua educação. O facto de o pai biológico ser uma figura presente não impede o padrasto de

agir como figura parental.

Porém, nem todos os padrastos oriundos de meios socialmente favorecidos partilham desta

disposição. O caso dos padrastos distantes (lógica da demissão parental) constitui um bom

exemplo. À semelhança dos padrastos estatutários (lógica da dualidade parental), os padrastos

distantes são os protagonistas de um modelo tradicional de masculinidade baseado no homem

provedor. Apresentam uma forte orientação para o trabalho, delegando nas mulheres toda a

responsabilidade pela gestão do quotidiano doméstico. Em seu entender, os lugares familiares

são atribuídos à partida em função da posição ocupada por cada um na estrutura familiar.

Trata-se de uma estrutura fortemente gendrificada, em que mulheres e homens ocupam