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2016
Principais resultados e conclusões
A diversidade de lógicas de construção da relação padrasto-enteado encontrada permite
perceber que o modo como o padrasto constrói o seu lugar em contexto de recomposição
familiar depende, sobretudo, do espaço de manobra que lhe é dado pela mãe em termos de
partilha no quotidiano das tarefas, responsabilidades, decisões e autoridade face ao enteado,
bem como da posição assumida pelo próprio face à parentalidade biológica e recomposta.
Trata-se, sem dúvida, da principal conclusão do estudo aqui apresentado. Ao contrário do que
foi avançado por Théry (1985), o lugar ocupado pelo pai biológico não constitui o único factor,
nem o mais determinante, a marcar o modo como se constrói a relação padrasto-enteado no
quotidiano. Com efeito, apenas na lógica da substituição parental o lugar ocupado pelo pai
biológico parece assumir maior força explicativa face às restantes dimensões de análise. É a
ausência do pai biológico que leva o padrasto a assumir o lugar de «pai substituto» do enteado
no dia-a-dia, partilhando com a mãe o poder parental e, nalguns casos, acabando mesmo por
assumir o lugar de principal responsável parental, nomeadamente em termos educativos.
Nas lógicas do suporte parental do padrasto amigo e da dissociação parental do padrasto
excluído, a dimensão analítica com maior força explicativa é a cooperação e a negociação
parental entre a mãe e o padrasto. No primeiro caso, a mãe não aceita partilhar as decisões
face aos filhos com o padrasto. É ela a principal figura parental na família, relegando o padrasto
para um lugar secundário de suporte à parentalidade materna. No segundo caso, a mãe
partilha com o padrasto as responsabilidades parentais associadas ao quotidiano familiar mas
não aceita negociar nem as decisões parentais, nem a autoridade parental, reservando para si
mesma o lugar de principal figura parental ainda que contra a vontade expressa do
marido/companheiro. Em ambos os casos, a vida familiar é orquestrada pela mãe.
Nas lógicas da pluralidade parental do padrasto envolvido e da co-parentalização progressiva
do padrasto reivindicativo, destaca-se a posição do padrasto face à parentalidade recomposta
enquanto principal dimensão analítica. O facto de o padrasto associar parentalidade biológica e
recomposta, leva-o a assumir o enteado como se de um filho se tratasse. Mas se, no primeiro
caso, o envolvimento do padrasto é bem recebido pela mulher, que partilha com ele as
decisões parentais; no segundo caso, o padrasto reivindicativo precisa de conquistar o seu
lugar na família, quebrando gradualmente a resistência da mãe. Em ambos os casos, a
parentalidade do pai biológico não impede a parentalidade do padrasto, nomeadamente em
termos do exercício quotidiano das tarefas parentais.




