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2016
sempre mãe»
;
«pai é sempre pai» e «filho é sempre filho». O padrasto amigo não se sente pai
do enteado, nem procura substituir o pai biológico que, nestes casos, é quase sempre alguém
presente, embora a relação pai-filho nem sempre seja marcada pela proximidade.
O padrasto é assim uma figura de suporte da parentalidade materna. Trata-se de alguém que
ajuda a mãe sempre que esta solicita o seu apoio, embora não assuma
nenhuma
responsabilidade parental específica
face ao enteado, nem tenha por ele o mesmo carinho que
tem pelos filhos:
“Entre nós existe um relacionamento de amizade (...) é diferente do amor que
há entre pai e filho. (...) não substituo o pai dela. Eu sou amigo [dela]
.
”
(Lourenço, 55 anos de
idade, 9.º ano de escolaridade, reformado, antigo gerente bancário, 3 filhos, 2 enteados, 12
anos de recomposição familiar). O padrasto vê-se como um amigo do enteado e uma
figura de
referência masculina. Rui (50 anos de idade, licenciado, engenheiro por conta própria, 2 filhos
anteriores, 1 enteado, 2 anos de recomposição familiar) descreve do seguinte modo o seu
papel na vida do enteado:
“(...) ‘tou presente no dia-a-dia. Agora (…) também não sei em que
medida é que eu sou capaz de me condicionar a pensar [nele]...” (…) “(…) sei que não sou o pai
dele. Mas sei que sou uma figura masculina presente e importante na vida dele.”
Nos casos em que o padrasto é também pai biológico, o laço pai-filho
é sentido como um laço
mais próximo e íntimo
que o laço padrasto-enteado. A responsabilidade enquanto pai
ultrapassa em muito a responsabilidade enquanto padrasto. Contudo, em termos de
interacções familiares, denotam-se aproximações entre a forma de ser pai e a forma de ser
padrasto. O exercício da parentalidade no quotidiano parece depender mais das diferenças de
género no casal do que do lugar ocupado na estrutura familiar (pai ou padrasto). Em regra, o
homem ocupa um lugar complementar no universo familiar e promove a proximidade
relacional com filhos e enteados através de actividades lúdicas.
Esta visão do lugar do homem na família repercute-se na forma como o casal divide entre si os
cuidados parentais:
“O cuidar dos filhos, ponto n.º 1, é mais uma tarefa da mãe
”; “(…)
se
calhar, o cuidar ‘tá mais ao lado da Carolina e o meu ‘tá mais o brincar, o entreter, o ensinar um
jogo.”
(Jorge, 39 anos, delegado comercial, 1 enteada, 2 anos de recomposição familiar). Uma
mãe sabe cuidar melhor de um filho do que um pai, em particular quando este é pequeno e
necessita de mais cuidados. Neste sentido, a relação com os filhos/enteados é uma relação
fortemente mediada pela figura materna, embora exista alguma individualização no plano das
actividades e da comunicação.




