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2016

perdi-a (…) eu digo não e a mãe vem por trás e diz sim, eu digo sim e a mãe vem por

trás e diz não.”

O padrasto vê-se a si mesmo como uma figura complementar no universo da

recomposição familiar. Trata-se de uma figura parental nova que tem por intenção

ajudar a mãe a educar o enteado. Contudo, a mãe requer a ajuda do padrasto no dia-a-

dia mas não legitima as suas atitudes em matéria de autoridade parental. O padrasto vê

esta situação como injusta, pois limita o seu papel de educador. Em simultâneo, sente

que a existência de uma forte dissociação em termos educativos entre o casal vem pôr

em causa o seu lugar na família enquanto figura parental. O discurso de Afonso (52

anos, pós-graduado, técnico de informática, 2 filhos anteriores, 1 enteada, 2 anos de

recomposição familiar) é revelador desta cisão:

“(…) as coisas seriam melhor é se a

vontade da mãe e a minha fossem mais parecidas e a maneira de proceder fosse mais

parecida(…).”

A vinda de um filho em comum ao casal contribui para agudizar ainda

mais esta situação, dado o padrasto não aceitar que a mulher assuma o lugar de principal

figura parental:

“Ela sempre partilhou as, as grandes decisões (…) o problema é o dia-

a-dia, são as pequeninas coisas (…). Já com os miúdos é a mesma coisa. Às vezes tenho

que a chamar à atenção: - «Desculpa lá, acabei agora de dizer que não podem fazer,

estás a dizer que podem! Pá, assim não dá. Não é possível.»” (Diogo)

Os dois padrastos aqui retratados vivem em situação de recomposição familiar há 2 anos

e 12 anos. No momento inicial da relação, os enteados tinham no mínimo 7 anos de

idade. Em ambos os casos, os padrastos também são pais; num dos casos os filhos são

fruto de uma conjugalidade anterior, no outro da actual conjugalidade. Em termos de

escolaridade, destaca-se a formação superior do homem, que pode ou não ser

acompanhada pela formação superior da mulher. Não obstante, hoje em dia, o

investimento profissional da mulher ultrapassa o do marido. Por motivos diversos,

registou-se uma inflexão no percurso profissional do homem o que o leva a ter mais

tempo disponível para a família.