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2016

Nos cinco casos aqui em análise, os padrastos entraram em situação de recomposição familiar

há, pelo menos, 5 anos, numa altura em que os enteados tinham no mínimo 1 ano de idade.

Em três casos são também pais biológicos; dois no âmbito de uma conjugalidade anterior e um

no âmbito da actual conjugalidade. Todos desempenham profissões qualificadas e bem

remuneradas, ocupando postos de chefia e de direcção nos respectivos locais de trabalho.

Assim, embora nem todos possuam formação universitária, trata-se de homens que investem

na construção de uma carreira de sucesso. As mulheres são, em regra, menos qualificadas que

os maridos/companheiros, e desempenham profissões de nível intermédio. Este desfasamento

entre a inserção profissional do homem e da mulher traduz-se num posicionamento

intermédio a elevado na escala social por parte do casal, denotando-se uma certa

homogeneidade em termos de classe social.

A Dissociação Parental do «Padrasto Excluído»

(2 casos)

Na lógica da dissociação parental, a díade mãe-filho é muito forte. O padrasto surge

como um elemento externo à dinâmica familiar previamente constituída, um

intimate

outsider

no verdadeiro sentido da palavra (Papernow, 1993). A forma como a

parentalidade era vivida antes da entrada em situação de recomposição familiar acaba

por influenciar a dinâmica familiar no seu conjunto. A família é, por excelência, um

território materno e a ausência do pai biológico vem reforçar este monopólio, uma vez

que a mãe assume as tarefas e responsabilidades outrora desempenhadas pelo pai.

Os padrastos excluídos procuram participar na educação dos enteados através do

estabelecimento de regras em relação ao estudo, às saídas nocturnas, etc. Contudo, tal é

interpretado pela mãe como uma intromissão. O padrasto sente esta atitude da mãe

como uma ameaça à perenidade da relação conjugal, sente-se secundarizado e

ultrapassado pela mulher, numa palavra, excluído de um poder a que julgava ter direito

por via da relação conjugal: o poder parental. Diogo (40 anos, licenciado, desempregado

há três anos, antigo cargo dirigente numa empresa multinacional, 2 enteadas, 2 filhos

em comum, 14 anos de recomposição familiar) descreve da seguinte forma a sua

situação familiar: “

A mãe tem um papel forte nesta família. Se calhar mais forte que,

que o pai. Elas já cá viviam (...) procurei mexer o mínimo possível no seu modo de vida

e isto é pensado, isto é intencional mas, por outro lado, quando eu dei essa margem