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2016
A mãe procura aqui um pai para o filho, partilhando com o padrasto tanto as responsabilidades
como as decisões parentais. No entanto, depara-se com a relutância do companheiro em
assumir outras responsabilidades face ao enteado para além da económica. Dado o pai
biológico ser, em regra, uma figura ausente ou pouco presente
na vida do filho, a mãe assume
o papel de principal figura parental. Os padrastos estatutários impõem pouco a sua vontade na
sua relação com os enteados, nomeadamente em termos educativos:
“Eu muitas vezes dou as
minhas opiniões, o que é que eu acho que está certo, (…). Se a mãe e o pai da [minha enteada]
quiserem fazer, fazem, se não quiserem, não fazem, quer dizer, não digo: "Ah tens que fazer
assim, tens que fazer assado"
(Filipe).
Os padrastos estatutários aqui retratados têm apenas uma enteada que, no momento da
recomposição familiar, estava em idade pré-escolar. Vivem juntos no mínimo há ano e meio e
no máximo há dez anos. Todos são pais biológicos. Tanto os padrastos como as respectivas
companheiras são oriundos de famílias de meio popular ligadas ao operariado, apresentando
níveis de escolaridade diversificados (do 6.º ano de escolaridade ao ensino superior), a que
correspondem actividades profissionais qualificadas e semi-qualificadas. Embora ambos
trabalhem fora de casa, a actividade profissional da mulher assume um carácter secundário
enquanto fonte de rendimento familiar. Os homens apresentam uma forte orientação para o
trabalho, que se traduz no desenvolvimento de trabalhos por conta própria (pequenos patrões,
gerentes de firmas de pequenas dimensões), delegando na mulher toda a responsabilidade
pela gestão da casa.
O Suporte Parental do Padrasto «Amigo»
(6 casos)
Na lógica do suporte parental, a mãe é reconhecida enquanto principal figura parental e o
padrasto assume o lugar de amigo do enteado. O factor biológico legitima a diferença entre a
mãe e o padrasto em termos de responsabilidades, decisões e autoridade, estabelecendo-se
uma verdadeira hierarquia entre parentalidades. Xavier (36 anos de idade, 12.º ano de
escolaridade, artista e empresário, 1 filho anterior, 1 enteada, 1 ano e meio de recomposição
familiar) diz:
“Há coisas que eu pura e simplesmente não me meto. (…)
Não, eu não me
intrometo, deixou-a tomar a decisão. A mãe aí toma a decisão (...).”
A mãe procura alguém que a ajude nas tarefas associadas ao dia-a-dia, salvaguardando para si
mesma as grandes decisões e a autoridade parental. É ela que impõe este
modus operandi
ao
padrasto, o qual tende a aceitá-lo dados os seus valores familiares. Em seu entender, «mãe é




