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2016
Estes homens vêem o sucesso profissional como um elemento central da identidade masculina.
Para Victor (50 anos, pós-graduação, quadro dirigente de empresa pública, 1 enteada, 2 filhos
em comum, 25 anos de recomposição familiar) o investimento na construção de uma carreira
de sucesso traduziu-se na indisponibilidade crescente para a vida familiar, dando «azo» a que a
mulher se transformasse numa «supermãe»:
“(…) também fui um bocado para o camarada,
sobretudo, com o mais velho [filho mais velho]. (…)
jogar à bola, dar passeios (...) depois
comecei a ganhar importância dentro da empresa.(…) Semanas a fio no estrangeiro. (…) a dada
altura passei a chegar a casa às nove da noite todos os dias. (...) O reconhecimento profissional
era super importante para mim. (…) Passei a vida a faltar às reuniões de pais. Faltei a metade
das consultas de médico. (...) também facilitei, não é? – dei azo a que ela fosse uma super
mãe.”
Para além de valorizarem muito a profissão enquanto fonte de realização pessoal, em
regra, atribuem mais importância à vida em casal do que à vida familiar. Jaime (58 anos,
licenciado, director de serviço numa instituição pública, 2 enteados, 10 anos de recomposição
familiar) expressa do seguinte modo essa ideia: “
Eu gostava era de ver a rapariga [mulher
actual] menos preocupada com os filhos para se dedicar mais a mim. (...) Mas já percebi que
tem que ser uma coisinha que vai lá estar.”
A mãe é reconhecida como a principal figura parental. Bastante autónoma, desde o início
assume os filhos como uma responsabilidade sua. A partilha das responsabilidades e decisões
parentais entre a mãe e o padrasto está, à partida, fora de questão. O casal recomposto não é
aqui um casal parental. A única excepção prende-se com o sustento familiar que é, em larga
medida, assegurado pelo padrasto, na qualidade de principal provedor e, desejavelmente, de
principal figura de autoridade. Trata-se, no entanto, de uma autoridade associada à partilha da
mesma casa, que nem sempre é reconhecida e aceite pelos restantes membros familiares,
nomeadamente os enteados.
Dado o pai biológico ser, quase sempre, uma figura presente e próxima do filho, o padrasto
sabe que não lhe é possível substituir o pai do enteado. Ricardo (51 anos, licenciado, director
técnico empresa privada, 1 filha anterior, 2 enteados, 16 anos de recomposição familiar)
expressa bem esta impossibilidade ao recordar a presença assídua do pai dos enteados fora
dos dias de visita: “
(...) vinha 3 vezes por semana de carro, tocava a buzina para os miúdos
virem cá abaixo para dar um beijinho aos filhos. (…) tinha imenso medo que os miúdos
gostassem mais de mim do que gostavam dele.”




