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2016
Os padrastos aqui retratados vivem com os enteados no mínimo há 1 ano e meio e no máximo
há 20 anos. Os enteados tinham entre 2 e 13 anos no momento inicial da recomposição
familiar. Quase todos são também pais biológicos, de conjugalidades anteriores e/ou da actual.
Após o divórcio, os filhos anteriores ficaram a viver com a mãe. O pai vê os filhos apenas nos
dias de visita. Estes homens, bem como as suas companheiras actuais, apresentam níveis de
escolaridade intermédios e superiores, e exercem actividades profissionais semi-qualificadas
ou qualificadas, quase sempre bem remuneradas. Pelas suas características, a lógica do suporte
parental é a mais permeável a uma forte diversidade interna, incluindo pessoas oriundas de
distintos quadrantes sociais.
A Co-Parentalização Progressiva do «Padrasto Reivindicativo»
(4
Casos)
A lógica da co-parentalização progressiva caracteriza-se pela conquista gradual de espaço por
parte do padrasto no triângulo relacional padrasto-mãe-enteado. O padrasto não se limita a
ajudar a mãe, reivindicando para si o estatuto de figura parental. Embora a mãe se assuma
enquanto principal figura parental, a dinâmica parental não fica refém do modo como mãe e
filho se relacionam entre si, pois o padrasto exige espaço e reconhecimento na vida do
enteado. O discurso de João (52 anos, doutorado, professor universitário, 3 enteados, 6 anos
de recomposição familiar) ilustra bem a posição assumida por estes padrastos: “
Acho que sou
um padrasto que não, não renuncia a ter o seu ponto de vista sobre o que quer que eles façam
(...)
.” Nuno (51 anos de idade, mestre, técnico superior, 1 enteada, 1 filha em comum, 15 anos
de recomposição familiar) partilha da mesma opinião:
“Eu acho que ela [a enteada] olha para
mim como um adulto que não é parvo e que portanto vale a pena ouvir o que eu tenho a dizer
(…).”
No entanto, os padrastos reivindicativos procuram não se impor em demasia na sua relação
com os enteados, pois sabem que isso pode originar conflitos. Eles aceitam como inevitáveis
algumas das especificidades da vida em contexto de recomposição familiar, como a aliança
mãe-filho e a necessidade de aprovação materna para legitimar o lugar do padrasto. Assim,
embora admitam que entre mãe e filho existe uma relação de grande proximidade, mostram-
se relutantes em serem tratados como
intimate
outsiders
(Papernow, 1993) por parte das
mulheres, nomeadamente quando estão em causa decisões parentais importantes.




