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2016

posições diferentes e complementares entre si.

É, portanto, ambígua a associação entre contexto social de existência e lógica de recomposição

familiar adoptada. O contexto social não é em si mesmo um bom preditor do tipo da lógica de

recomposição familiar adoptada. A diversidade encontrada parece estar mais associada à

forma como as tarefas, as responsabilidades e as decisões parentais são repartidas e

negociadas dentro da família recomposta do que à posição social ocupada pelos entrevistados.

Neste sentido, são os processos de negociação interna que têm lugar no agregado doméstico

recomposto (Le Gall e Martin, 1991; Allan, Hawker e Crow, 2001; Allan, Crow e Hawker, 2011)

que permitem adoptar uma concepção mais fluída do efeito que as variáveis estruturais

(contexto socioprofissional e de género) têm no modo como se constrói o sentimento de

pertença e de responsabilidade familiar (Finch, 1989; Finch e Mason, 1993) em contexto de

recomposição familiar.

Em resumo, o estudo aqui apresentado evidenciou que as actuais lógicas de recomposição

familiar não são explicadas por uma única variável mas sim por um conjunto de variáveis. Se

nuns casos a principal variável explicativa parece ser a ausência do pai biológico, noutros trata-

se da cooperação e negociação parental entre a mãe e o padrasto e noutros ainda a posição

assumida pelo próprio padrasto face à parentalidade biológica e recomposta. Em todos estes

casos, as lógicas encontradas revelaram-se transversais a um conjunto diversificado de

contextos sociais e, embora seja possível estabelecer uma ligação entre algumas das lógicas

encontradas e um contexto social específico, essa ligação deixou de ser unívoca. Assim, à

medida que cresce o número de famílias recompostas e que se diversificam as situações de

recomposição familiar, cresce também a complexidade subjacente a esta forma de vida

familiar.

Nota:

Este trabalho foi financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) no âmbito do

projecto de pós-doutoramento “Famílias recompostas, solidariedades familiares e políticas

públicas” (SFRH/BPD/89524/2012), desenvolvido no Instituto de Ciências Sociais da

Universidade de Lisboa (ICS-ULisboa), Portugal.