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2016
assumi esse papel do pai, porque eu é que as ensinei a lavar os dentes, a vestir-se, a arranjar-
se, a levá-las à escola, a sentar-se à mesa, a comer…”; “Eu sempre lhes disse, vocês têm um pai,
o vosso pai é aquele… (...) Mas eu também me sinto pai delas. Eu sou, de facto, pai delas (...).”
Desde o início da recomposição familiar que a mãe promove a integração do padrasto
enquanto figura parental, verificando-se uma grande paridade parental
entre os membros do
casal. No entanto, a presença do pai biológico no quotidiano do enteado implica uma
negociação constante entre os vários intervenientes educativos - mãe, padrasto, pai e
madrasta.
Alguns destes padrastos também são pais e os filhos foram planeados e nasceram no âmbito
da sua primeira conjugalidade, quando estes homens tinham entre 25 e 29 anos de idade.
Após o divórcio, os filhos ficaram à guarda das mães mas eles sempre se preocuparam com a
manutenção do contacto diário com os mesmos. Carlos (53 anos, licenciado, arquitecto por
conta própria, dois filhos fruto de uma conjugalidade anterior e dois enteados, 16 anos de
recomposição familiar) assumiu de imediato a tarefa de levar os filhos à escola pela manhã, o
que durante um ano o obrigou a deslocações diárias entre Lisboa (local onde residia) e Oeiras
(local de residência dos filhos).
Os padrastos envolvidos entraram em situação de recomposição familiar há, pelo menos, três
anos, quando os enteados eram pequenos, em idade pré-escolar. Em regra, tanto eles como as
suas actuais companheiras apresentam escolaridades elevadas,
exercem actividades
profissionais qualificadas e bem remuneradas. Estes padrastos são os protagonistas da
mudança em matéria de parentalidade recomposta, na medida em que a presença do pai
biológico não os inibe de exercer um papel parental na relação com o enteado.
A Substituição Parental do Padrasto «Pai Substituto»
(5 casos)
Na lógica da substituição parental,
os lugares de pai e de mãe são encarados como
insubstituíveis e complementares entre si, por isso o padrasto só assume o lugar de «pai
substituto» na ausência do progenitor. Tiago (25 anos de idade, 9.º ano de escolaridade,
motorista, um enteado e à espera do seu primeiro filho, 2 anos de recomposição familiar) vê-se
a si mesmo como o «pai do coração» do enteado, dado que
:“(...) apesar do filho não ser meu
(…) o pai nunca quis saber dele e quem o está a educar sou eu. (…) e ele trata-me a mim como
pai. Chama-me mesmo pai.”
Ser pai significa estar presente, ser responsável, dedicado e




