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2016

A Pluralidade Parental do «Padrasto Envolvido»

(5 casos)

A lógica da pluralidade parental

caracteriza-se por uma forte disponibilidade

do padrasto para

interagir com o enteado no quotidiano familiar. O padrasto

partilha com a mulher todos os

cuidados ao enteado (dar banho, pôr a dormir, etc.), desenvolve actividades exclusivas com ele

(brincar, transmitir conhecimentos específicos, assistir a uma série televisiva, etc.) e, em

simultâneo, revela uma forte abertura ao diálogo, estimulando o enteado a pensar pela própria

cabeça e a falar sobre aquilo que o preocupa (comunicação intensa). Vicente (49 anos,

doutorado, professor universitário, 2 filhas anteriores e 2 enteadas, 3 anos de recomposição

familiar) descreve da seguinte forma o modo como se processa a comunicação com as

enteadas:

“Explico tudo aquilo que elas perguntam, não é? (...) Pronto, isso, isso, são coisas que

eu gosto muito de fazer, estamos ali a jantar e de vez em quando, ela [a enteada mais velha]

fica sempre à mesa mais um bocado para conversar (…).”

A idade do enteado faz variar o tipo de cuidados prestados, bem como o tipo de actividades

desenvolvidas a dois e os temas sobre os quais se conversa. Apesar de as interacções padrasto-

enteado se desenvolverem na presença da mãe, aposta-se na construção de uma relação

individualizada e pouco mediada. O padrasto constrói com o enteado um laço íntimo e

afectivo, de grande proximidade relacional. Dada a fraca valorização atribuída ao factor

biológico na definição do laço parental, ser pai e ser padrasto

são

lugares equiparados. A

relação padrasto-enteado é sentida como uma relação parental, em tudo idêntica à relação

que o padrasto estabelece com os seus filhos biológicos:

“(...) a [minha enteada mais velha]

(...) faz exactamente comigo o mesmo que [as minhas filhas] faziam. Estamos sentados à mesa,

acabámos de jantar e a [minha enteada mais velha]: "Ó Vicente, eu preciso de um conselho.

Como é que eu hei-de…?" E depois começa a falar (...). Eu acho muito engraçado porque ela

está ali com a mãe, não é?”

Ser padrasto significa estar presente, cuidar, educar e dar conselhos. O padrasto envolvido vê-

se a si mesmo como uma figura parental adicional, alguém que, numa situação de conflito,

pode agir como mediador familiar. A parentalidade do pai biológico, mesmo que presente e

próximo, não impede a parentalidade do padrasto. Bernardo (45 anos, licenciado, pequeno

empresário, duas enteadas e uma filha em comum, 22 anos de recomposição familiar), embora

se sinta pai das enteadas, nunca teve a intenção de ocupar o lugar do pai biológico,

reconhecendo à partida a impossibilidade de se transformar no «verdadeiro» pai: “

Elas

continuam a ter o pai, que é o pai delas (...) mas a partir de uma determinada altura fui eu que