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2016
Introdução
Num tempo marcado pela implementação da co-parentalidade como a norma de
relacionamento entre os pais após o divórcio/separação
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, o lugar do padrasto deixou de estar
associado à substituição do lugar deixado vago pelo pai biológico e passou a adicionar-se aos
dois lugares parentais com existência prévia – pai e mãe, enquanto novo lugar familiar. Trata-
se, no entanto, de um lugar que não se encontra instituído (Cherlin, 1978), tanto do ponto de
vista legal como social, para o qual não se é socializado (Berger, 1998) e que, quase sempre,
surge mediado pela figura materna (Allan, Hawker e Crow, 2001). Na ausência de normas
externas (sociais e jurídicas) (Cherlin, 1978) que regulem o seu comportamento, os membros
das famílias recompostas apostam na criação de regras próprias que lhes permitem orientar o
seu comportamento dentro da família (Le Gall e Martin, 1991). No entanto, a dimensão da
rede de relações familiares que, em regra, caracteriza estas famílias acaba por complexificar a
definição dos “novos” lugares familiares (Allan, Hawker e Crow, 2001), como é o caso do lugar
do padrasto.
Adoptando a perspectiva do padrasto como porta de entrada na vida familiar, a investigação
aqui apresentada teve como principal objectivo dar a conhecer o modo como a parentalidade é
construída e vivida nas famílias recompostas, identificando as diferentes lógicas de construção
deste lugar familiar. Ao interesse em conhecer o modo como o lugar do padrasto é construído
alia-se a vontade de ir além de uma visão demasiado esquemática oferecida pela literatura
relativamente ao papel do padrasto – substituto/não substituto (Théry, 1985).
A pesquisa até aqui desenvolvida tem privilegiado uma abordagem da construção do lugar do
padrasto como dependente da manutenção ou não da relação entre o enteado e o pai
biológico (Théry, 1985); e tem estabelecido uma interdependência entre lógica de
recomposição familiar adoptada e posicionamento da família no espaço social (Le Gall e
Martin, 1991; Lobo, 1994, 2007, 2009). A presente investigação parte do pressuposto de que a
diversidade de lógicas de parentalidade recomposta associada à construção do lugar do
padrasto depende, sobretudo, das dinâmicas de interacção e dos processos de negociação no
quotidiano das famílias recompostas (Kellerhals, Coenen-Hunter e Modak, 1988; Allan, Hawker
e Crow, 2001; Allan, Crow e Hawker, 2011). Neste sentido, privilegiou-se uma abordagem
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Lei n.º 61/2008 de 31 de Outubro.




