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2015

limitados, não foi isenta de problemas. Uma das insuficiências residiu na natureza

essencialmente “urbana” dos planos, que não abordavam de forma integrada e coerente os

territórios rurais com a mesma profundidade e clareza com que tratavam os territórios

urbanos. Outras limitações foram a natureza essencialmente regulamentar e a reduzida

visão estratégica e programática da maioria dos planos, caraterísticas que lhes conferiram

grande rigidez e reduzida capacidade para responder às alterações do quadro económico e

social e à variabilidade das dinâmicas territoriais que se acentuariam no período seguinte.

Estes PDM de “primeira geração” foram também essencialmente planos “de expansão

urbana”, num tempo em que múltiplos sinais (envelhecimento populacional, declínio das

áreas centrais dos aglomerados urbanos, preocupações ambientais, etc.) já apontavam

desafios novos às cidades, exigindo abordagens inovadoras e instrumentos com conteúdo

diferente. Mas estes planos tiveram um mérito indiscutível: introduziram na consciência

coletiva a noção de que a edificação e a urbanização devem obedecer a regras, estabelecidas

pela Administração, que limitam o exercício do direito de propriedade.

Por outro lado, esta situação criou, pela primeira vez, um mercado para especialistas em

urbanismo e ordenamento do território. A elaboração dos PDM ao longo da década de 90

coincide temporalmente com a crescente participação de um novo grupo de profissionais, os

geógrafos, cuja intervenção nos processos de planeamento territorial não cessará de crescer

até ao presente, contribuindo de forma significativa para a afirmação da visão do

ordenamento do território, por contraponto à visão mais “urbanística” tradicionalmente

protagonizada por arquitetos e engenheiros urbanistas.

Também sob a égide do ministro Valente de Oliveira, é criado em 1994 o Programa de

Consolidação do Sistema Urbano Nacional e de Apoio à Execução dos PDM (PROSIURB

) 20 ,

financiado com verbas do Quadro Comunitário de Apoio II (1994-99). Baseado em cinco

vetores estratégicos orientadores da política de ordenamento do território e na necessidade

de reordenar o sistema urbano, valorizando as cidades médias e os centros urbanos da rede

complementar fora das áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, o PROSIURB visou “o

desenvolvimento de centros urbanos que desempenhem um papel estratégico na

20

Despachos do Ministro do Planeamento e da Administração do Território n.º 6/94 e nº 7/94, ambos de 26 de Janeiro,

Diário da

República

, 2ª Série, nº 21, de 1994-01-26, pp. 716-719.

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