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2015

século XX, esta linha de política produziu e executou inúmeros planos de povoamento

florestal, planos de emparcelamento rural e planos de rega. Parte desta comunidade de

profissionais, com o seu

corpus

doutrinário e experiência de terreno e com uma cultura

fortemente comprometida com a sustentabilidade dos recursos naturais, irá associar-se mais

tarde às políticas ambientais, que fazem a sua entrada em Portugal apenas nos anos 1960.

A linha de política urbanística, fundada nas doutrinas higienistas em voga na Europa de

meados do século XIX e na necessidade política e técnica de controlar a expansão das

cidades, teve a sua génese na esfera do setor do Governo responsável pelas obras públicas.

A sua primeira expressão significativa data de 1864 e foi uma iniciativa legislativa destinada a

regular a viação pública. A pretexto de assegurar a livre circulação de pessoas e bens nas

estradas e caminhos, regulou-se o alinhamento das construções e a sua altura máxima em

função da largura das vias e criaram-se os “planos de melhoramentos urbanos”, destinados a

assegurar a estética urbana e condições adequadas de salubridade e segurança nas cidades.

Estes planos eram obrigatórios para as duas principais cidades do país (Lisboa e Porto) e

facultativos para as restantes. Em 1905 surgem os primeiros regulamentos de edificação, a

que ficam sujeitas todas as construções urbanas.

Ao contrário do que sucedeu no domínio do ordenamento agroflorestal, em que, apesar das

resistências locais, os planos e projetos de iniciativa pública foram sendo elaborados e

implementados em função das prioridades e disponibilidades de investimento do Estado, a

política de regulação do desenvolvimento urbano e de disciplina da edificação teve maior

dificuldade em se impor, face aos fortes interesses fundiários e imobiliários, à cultura

vincadamente privatista da propriedade do solo e à economia rentista dominantes no país. A

estes fatores somaram-se ainda a reduzida capacidade de gestão da Administração e a

crónica falta de capital para investimentos públicos estruturantes. Os primeiros planos de

melhoramentos urbanos de Lisboa e do Porto apenas se irão concretizar várias décadas

depois da publicação da lei de 1864.

Visão e poder num regime autoritário (1930-45): o consulado de Duarte Pacheco

e o reforço do planeamento urbanístico

Será necessário esperar até aos anos 30 do século XX para que a situação descrita se altere.

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