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2015

Introdução

Nos últimos anos têm sido propostas diversas tipologias de sistemas nacionais de

ordenamento do território na Europa.

Na obra de Davies

et al.

(1989) não existe qualquer referência ao caso português. No

trabalho de Newman e Thornley (1996) Portugal surge integrado no modelo napoleónico,

conjuntamente com outros países da Europa do Sul (França, Espanha, Itália) mas também da

Europa Central (Bélgica, Holanda, Luxemburgo). No

Compendium

da União Europeia (CEC,

1997) Portugal é incluído, embora sendo-lhe atribuídas características um pouco atípicas, em

dois tipos-ideias de ordenamento do território: “económico-regional”, de filiação francesa, e

“urbanismo”, juntamente com a Grécia, Itália e Espanha. Finalmente, na proposta mais

recente (Farinós Dasí, ed., 2007) Portugal é igualmente inserido em dois tipos ideais de

sistemas de ordenamento do território: “económico-regional” e, secundariamente,

“regulação do uso do solo”, integrado na coluna de sistemas de influência anglo-saxónica.

Estas classificações foram sistematizadas por Stead e Nadin (2009:288) num quadro síntese

em que Portugal surge em três colunas distintas (cf. Quadro 1). A que se deve esta dispersão

de resultados? Obedecerá o sistema de ordenamento do território português a diferentes

tradições ou terão os autores das obras referidas recorrido a critérios distintos de

classificação?

Este texto procura responder a estas questões, através da reconstituição do processo de

formação do ordenamento do território como política pública autónoma em Portugal. Essa

reconstituição genealógica permite perceber o modo como a ideia de ordenamento do

território evolui e ganha força desde meados do século XIX através de sucessivos impulsos

modernizadores, tanto externos como internos, e esclarece a forma como a sua

concretização ao longo do tempo tem mobilizado áreas governamentais, políticas,

instituições e comunidades profissionais diferentes. Este processo histórico é condicionado

pelas grandes transformações políticas ocorridas no país, mas também pelo modo como

Portugal se insere nas redes internacionais de circulação de ideias e conhecimento, pela

adesão à então Comunidade Económica Europeia em 1986 e, mais recentemente, pela

crescente exposição do país a agendas globais.

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