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2015

O texto encontra-se organizado em três secções. Nas duas primeiras caracterizam-se os

principais aspetos e atores da evolução das políticas com objetivos de ordenamento do

território antes e depois da adesão de Portugal à Comunidade Económica Europeia. Na

última secção, identificam-se as principais tensões com que se defronta atualmente o

ordenamento do território como política pública no nosso país, relacionando-as com o seu

passado multifacetado, com a sua natureza ´fraca` face a outras políticas, com o atual

contexto de crise e, finalmente, com o impacte de novos desafios associados a agendas

europeias e globais.

A síntese que se segue corresponde sobretudo a um trabalho reflexivo tendo por base obras

anteriores dos autores deste texto (Campos, 2007, 2010 e 2012; Ferrão, 2003, 2010a, 2010b

e 2011; Ferrão e Mourato, 2011), mas levou também em consideração várias publicações

que nas últimas duas décadas e meia têm procurado dar uma visão evolutiva dos sistemas

de ordenamento do território em Portuga

l 4 .

I. De meados do século XIX à adesão de Portugal à Comunidade

Económica Europeia (1986)

Os primórdios (meados do século XIX - anos 20 do século XX): ordenamento agroflorestal e

planeamento urbanístico, as duas linhas de política fundadoras

As primeiras iniciativas modernas do Estado visando regular a organização e ocupação do

território português datam da segunda metade do século XIX, num período em que o país se

caracteriza ainda por uma forte presença do mundo rural, e desenvolveram-se segundo duas

linhas de política autónomas: agroflorestal e urbanística.

A linha de política agroflorestal consolidou-se na esfera do setor do Governo responsável

pela política agrícola, apoiada num corpo de profissionais oriundo das engenharias

agronómica e florestal. Mantendo-se entre meados do século XIX e o terceiro quartel do

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Ver, em particular, Alves (2007), Frade (1999), Marques da Costa, Gaspar, Simões e Barroso (2006), Fonseca Ferreira (2005),

Gaspar (1996), Gonçalves (1988), Gonçalves, Bento e Pinheiro (2008), Mourato (2011), Mourato e Rosa Pires (2007), e Rosa Pires

(2001 e 2005). No que se refere mais especificamente ao impacte da política regional europeia em Portugal, ver sobretudo

Madureira Pires (1998) e Medeiros (2013).

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