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2015

ordenamento do território poderá reforçar a sua associação às políticas de desenvolvimento

regional, talvez sob a designação mais genérica de desenvolvimento territorial, e o seu papel

de coordenação de políticas e de governança territorial. Curiosamente, Reimer

et al.

(2014),

comparando os sistemas de ordenamento do território de doze países europeus, identificam

cinco desafios comuns principais, sendo o primeiro a necessidade de uma melhor

coordenação com a programação económica e com outras políticas setoriais aos diferentes

níveis (nacional, regional e local) e o último o da governança territorial

40 .

III. O futuro da política de ordenamento do território em Portugal

Entre tensões e mutações

O ordenamento do território em Portugal confronta-se hoje com diversas tensões, umas

relacionadas com o seu passado, outras com a sua natureza, outras ainda com o atual

contexto de crise ou com a emergência de novos desafios.

O primeiro tipo de tensões reflete a história do ordenamento do território ao longo do

último século e meio (Figura 1). As suas múltiplas filiações e o facto de a emergência do

ordenamento do território como domínio próprio ser recente explicam a inexistência quer

de uma comunidade académica e profissional autónoma quer de associações

representativas do conjunto das áreas disciplinares envolvidas. O ordenamento do território

continua a ser maioritariamente ensinado nas universidades portuguesas como um

subdomínio de áreas disciplinares mais amplas (engenharia, arquitetura, geografia,

paisagismo, direito, etc.). As associações profissionais reproduzem esta mesma lógica

disciplinar ou representam de forma fragmentada, através de pequenas associações, a

componente historicamente mais consolidada do ordenamento do território: o urbanismo. A

atividade desenvolvida por associações potencialmente próximas, como a Associação

Portuguesa de Desenvolvimento Regional (APDR) ou a Sociedade Portuguesa de Estudos

Rurais (SPER), não tem uma relação relevante com a política de ordenamento do território,

40

Os cinco desafios são: i) melhor coordenação com a programação económica e as políticas setoriais; ii) simplificação dos sistemas

de planeamento / flexibilização; iii) equilíbrio entre eficiência e legitimidade; iv) integração de questões ambientais; e v) governança

territorial.

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