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2015

A inserção política do ordenamento do território na orgânica do Estado e do Governo

Como referimos no início, as duas linhas de política fundadoras do ordenamento do

território em Portugal – ordenamento agroflorestal e planeamento urbanístico – tiveram a

sua origem em sectores distintos da orgânica do Estado e do Governo (agricultura e obras

públicas), tendo essa separação persistido até à atualidade. Já a emergência da política

ambiental e da política regional, bem como os primeiros pronúncios de uma política de

ordenamento do território autónoma verificados nos anos 1960-70 do século passado,

ocorreram na esfera da Presidência do Conselho de Ministros. Na década seguinte (1980-

90), a política de ordenamento do território e urbanismo integra a tutela do Ministro que

também conduz a política regional e gere os financiamentos comunitários recebidos através

do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional. Esta coabitação na mesma tutela

ministerial repete-se entre 2005 e 2009, após o que a política de desenvolvimento regional

regressa à esfera do sector governamental responsável pela política económica.

Simultaneamente, a partir de 2005 a política de ambiente e a política de ordenamento do

território e urbanismo são integradas na tutela do mesmo sector governamental.

Esta evolução aparentemente errática resulta de uma conjugação complexa de opções

políticas, conceções teóricas, importância relativa de diferentes comunidades profissionais e

preferências individuais por parte de decisores influentes. Mas, de uma forma geral, as

mutações verificadas são facilmente interpretáveis, primeiro, a partir de tendências mais

globais verificadas nos países com maior influência cultural em Portugal (França, Alemanha,

EUA, Reino Unido) e, mais tarde, tendo como referência as agendas europeias e globais.

Olhando para o futuro, é possível destacar duas grandes incógnitas: Qual o peso político

atribuído pelos próximos governos à política de ordenamento do território? E qual a

inserção mais provável deste domínio na orgânica do Estado e do Governo? O ponto que se

segue identifica algumas das tensões que não deixarão de influenciar essas opções. Mas as

decisões serão sobretudo políticas. Caso predomine a componente reguladora de uso e

ocupação do solo, o ordenamento do território manterá a relação privilegiada que hoje tem

com as políticas ambientais e, provavelmente, perderá parte da força que ganhou nas

últimas décadas. Se, pelo contrário, prevalecer a visão estratégica e até prospetiva, o

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