ICS
W
O
R
K
I
N
G
P
A
P
E
R
S
2015
morte do irmão, vergonha por ser diferente, tristeza, raiva pelo fato da atenção dos
pais e de toda a família estar centralizada no irmão, preocupação, inferioridade,
quando sentem que suas necessidades não são priorizadas, solidão, negação ou até
mesmo dificuldade de relacionamento com os amigos. Os sentimentos de culpa e
vergonha que os irmãos de pessoas com deficiência apresentam podem se relacionar
ao constrangimento frente aos limites no desempenho e interação desses indivíduos
(Ardore; Regen; Hoffman, 1988).
Segundo França (2000), a primeira constatação do efeito que tem a presença de uma
criança com deficiência na fratria é no próprio “volume da fratria”, ou seja, por vezes,
se a criança com deficiência é o primogênito, ele torna-se filho único, ou caso não seja,
torna-se o último filho. A angústia que os pais poderão sentir e o medo da repetição da
deficiência por vezes é o motivo da limitação do número de filhos (Solomon, 2013; Sá,
2005; Bastos, 2002; França, 2000; Trad, apud Barros, 1999). Quando a fratria é
formada apenas por dois filhos, os sinais de ansiedade parecem ser mais explícitos nos
irmãos com desenvolvimento típico, do que quando esta é numerosa, neste caso
observa-se maior dificuldade apenas no irmão que antecede diretamente aquele com
deficiência, pois este parece sofrer mais devido ao acréscimo de atenção e à
dependência que o irmão com deficiência necessita de seus pais (França, 2000).
A redução observada nas fratrias contribuiu para aumentar a intensidade das relações
entre os irmãos, tornando-se ainda maior em situações de crise ou estresse, como
quando há a presença de um irmão com deficiência; nesta situação, as relações
fraternas podem se estabelecer como um pilar de sustentação e equilíbrio, mas
também pode haver ressentimentos no irmão mais velho,
por muitas vezes ser o
escolhido para auxiliar no cuidado com o irmão, executando tarefas que exigem
responsabilidade, como auxiliar na higiene, alimentação, administrar medicamentos
ou por achar que os seus sucessos não são valorizados, enquanto qualquer conquista
do irmão, mesmo pequena é hipervalorizada. Tal fato pode ser impeditivo no
desenvolvimento da auto-estima deste irmão (Goldsmid; Féres-Carneiro, 2011;
Fernandes; Alarcão; Raposo, 2007; Cavicchioli, 2005; Meynckens-Fourez, 2000; França,
16




