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2015
morte ou deficiência. O estresse decorrente de uma crise exige suporte emocional e
psicológico que poderá ser fornecido pelo irmão (Goldsmid; Féres-Carneiro, 2011;
Nandwana; Katoch, 2009).
Salientamos que a função fraterna não se limita à relação entre irmãos biológicos.
Pode-se percebê-la, por exemplo, em famílias reconstituídas, com os filhos do
padrasto ou da madrasta e em filhos únicos com seus primos ou amigos. Para
Meynckens-Fourez (2000), as relações fraternas preenchem no mínimo três funções:
de afeição, tranquilidade e recurso, de substituto parental e de aprendizagem dos
papéis cognitivos e sociais, sendo que, em famílias em que o amor e a proteção dos
pais estão ausentes, os irmãos tendem a intensificar os laços fraternos (Muniz; Féres-
Carneiro, 2012).
A relação fraterna é influenciada por algumas variáveis, entre elas o tamanho da
família, idade dos irmãos e ordem de nascimento. Os irmãos mais velhos servem de
modelo, compensando muitas vezes a ausência e distância dos pais. O adolescente por
sua vez estabelece relações de cumplicidade com a fratria com o intuito de contestar a
autoridade dos pais e de ampliar as possibilidades de simbolização da sociedade em
que vivem (Muniz; Féres-Carneiro, 2012; Falk; Silveira; Masmann, 2002, apud
Navarausckas
et al
, 2010; Messa; Fiamenghi Júnior, 2010; Carvalho; Moreira;
Rabinovich, 2010; Moreira; Rabinovich; Silva, 2009; Rabinovich; Moreira, 2008;
Goldsmid; Féres-Carneiro, 2007; Oliveira, 2006; Petean; Suguihura, 2005; Kehl, 2000;
Fourez, 2000).
2.3 A Fratria na presença de uma pessoa com deficiência
Os irmãos, assim como os pais, sofrem o impacto do nascimento de uma criança com
deficiência. Enquanto os pais elaboram a perda do filho idealizado, os irmãos precisam
conviver com a frustração do sonho do irmão perfeito e com a realidade do irmão
“diferente”, o que não vai partilhar suas experiências nem vai brincar como os outros.
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