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2015

relações de amizade mudam ao longo da vida. A relação partilhada inicialmente com

os irmãos influencia tanto no desenvolvimento quanto nas experiências fora da família

e na construção do laço social. Para Howe e Recchia (2006), o conflito existente entre

os irmãos na infância está associado a uma pior adaptação à vida social quando adulto.

Os vínculos estabelecidos entre eles possibilitam a cada um experimentar a

socialização inicialmente na própria família e, posteriormente, com o estranho. Para

que os vínculos estabelecidos pelos irmãos sejam satisfatórios, deverá haver uma

relação de intimidade, coincidência de valores pessoais e complementaridade de

papéis (Muniz; Féres-Carneiro, 2012; Lito, 2012; Goldsmid; Féres-Carneiro, 2011;

Goldsmid; Féres-Carneiro, 2007; Howe; Recchia, 2006; Meynckens-Fourez, 2000).

Interações entre irmãos são emocionalmente carregadas de fortes emoções, positivas,

negativas ou ambivalentes; são também relações íntimas que potencializam o

desenvolvimento emocional, social, moral e cognitivo das crianças. Em geral, as

relações entre irmãos desempenham um importante papel no desenvolvimento da

compreensão das crianças sobre o seu mundo, além de aprender sobre as emoções,

pensamentos e intenções do outro (Howe; Recchia, 2006). Quando a relação fraterna é

boa, torna-se referência para vínculos afetivos positivos, exercendo grande influência

na forma em que nos vinculamos ao outro; porém, quando a relação é permeada por

desafetos, os irmãos podem tornar-se adversários (Muniz; Féres-Carneiro, 2012;

Goldsmid; Féres-Carneiro, 2011; Messa; Fiamenghi Jr., 2010; Goldsmid; Féres-Carneiro,

2007; Meynckens-Fourez, 2000). Em um estudo desenvolvido por Rabinovich e

Moreira (2008), sobre o significado de famílias para crianças paulistas, as autoras

concluíram que aos irmãos era dada muita relevância, pois eles eram para as crianças

as pessoas mais presentes, sugerindo uma proximidade, familiaridade,

complementaridade e permanência.

Ao estudar relação fraterna, enfatizando a constituição do sujeito e a formação do laço

social, Goldsmid e Féres-Carneiro (2011) constataram a boa convivência na fratria

como um fator importante para a constituição do sujeito e do laço social, sendo

suporte para o equilíbrio familiar em situações de crise, como no caso de doença,

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