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2015

irmãos/pais e irmãos/irmãos. Sendo assim, o comportamento parental pode facilitar o

surgimento de sentimentos positivos entre os irmãos ou mesmo dificultá-los, como

podemos observar abaixo na fala dos nossos entrevistados (Goldsmid; Féres-Carneiro,

2007; Aboim, 2006).

“...aí meu pai fala: você reclama de tanta coisa, você não está

vendo seu irmão que... sabe? tem que ficar em casa e tal...”

(Miriã)

“Eu não sei se eu tive uma percepção... ou se eu tive frustração,

um sentimento negativo ou positivo que... ele... apresentava

deficiência. Acho que... acho que a educação que foi dada pelos

meus pais, né? Foi um ponto crucial pra que... passasse

despercebido não é?” (Tiago)

“...e, Lia nasceu especial, e deu dois anos e meu irmão nasceu,

então era uma criança especial, um bebezinho, contra uma

menina né? que já tava mais velha... eu acabei ficando assim...

meio assim com um pouco com menos atenção. Não, Raquel

pode fazer sozinha, Raquel consegue, Raquel consegue...”

(Raquel)

Os riscos de problemas emocionais são grandes, e o tamanho da família tende a

atenuar os efeitos da deficiência, por seus membros dividirem a carga de sentimentos

e responsabilidades. Os pais podem superproteger o filho com deficiência, este

recebendo frequentemente um tratamento preferencial, com regras menos rígidas e

uma maior tolerância. Em um estudo realizado em 1954 por Shere, e citado por França

(2000), com 30 pares de gêmeos, dos quais um tinha Paralisia Cerebral, este observou

que a superproteção dos pais direcionada ao gêmeo com PC era o fator central da

família, e ao gêmeo com desenvolvimento típico era cobrado maior responsabilidade e

mais maturidade do que a sua idade e suas capacidades, isto provocava neste uma

maior instabilidade, mais ciúmes e sobretudo menos alegria que seu irmão gêmeo com

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