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2015
responsabilidade da família. As sociedades pós-industriais criaram instituições e estas
pessoas eram levadas para longe de suas famílias ao primeiro sinal de anormalidade
ou anomalia. No Brasil, as pessoas com deficiência eram negligenciadas até que se deu
o surgimento das primeiras instituições no início da segunda metade do sec. XIX, na
cidade do Rio de Janeiro; constituíam-se em internatos e destinavam-se a pessoas
cegas e surdas. Essa segregação advinda do internato das crianças foi em parte
responsável pela percepção que a sociedade tem da pessoa com deficiência como um
ser incapaz de se responsabilizar por sua própria vida (Solomon, 2013; Mendonça
Neto; Chaveiro, 2010; Barros, 2007; Sá, 2005; Bueno, 1999).
A terminologia usada para designar o que hoje denominamos pessoas com deficiência
veio através dos séculos carregada de discriminação e violência. Os deficientes eram
chamados de “inválidos”, termo que significa “indivíduo sem valor”. No séc. XX
passaram a ser chamados de incapacitados, ou seja, eram considerados sem
capacidade. A partir de 1960, muda-se a denominação passando-se a chamar de
“deficientes” “defeituosos” ou “excepcionais” aqueles indivíduos que tinham
deficiência física, mental, auditiva, visual ou múltipla. No início da década de 80,
novamente muda-se a terminologia para pessoas deficientes, atribuindo-se um valor
de “pessoa” àqueles que tinham uma deficiência, além de chamar a atenção que a
deficiência era uma característica individual. Ao final desta mesma década, contestou-
se o termo “pessoa deficiente”, passando-se à denominação “pessoas portadoras de
deficiência”, ou seja, a deficiência era apenas um “detalhe” da pessoa. Em 1990,
substitui-se o termo deficiência por “necessidades especiais”, ficando esses indivíduos
denominados de “portadores de necessidades especiais”. Este termo, contudo,
também foi questionado por conter alusão a pessoas que portam (levam) uma
necessidade/deficiência e por acreditar-se que necessidades especiais todas as
pessoas têm; a partir deste questionamento, passou-se a chamar, apenas, “pessoas
especiais”. Hoje, porém, “pessoa com deficiência” passa a ser o termo mais atual, pois
se acredita que esta terminologia contribui para a autonomia e inclusão, e por ter sido
o desejado pelos movimentos mundiais de pessoas com deficiência, incluindo o Brasil
(Diniz, 2007; Sá, 2005; Sassaki, 2003).
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