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2015

PC. No nosso estudo, até o momento, observamos que o irmão da criança com

deficiência traz no seu discurso a percepção do tratamento diferenciado dispensado

pelos pais aos irmãos.

“...tinha brincadeira, meu pai escondia ovo da Páscoa pela casa

toda pra gente sair procurando, e aí eu acordava cedo,

procurava, procurava, achava tudo, aí eu sabia onde é que tava

todos os melhores ovos e ai meu pai falava; não, você vai

guardar tudo de novo e aí ele ia no lugar dos melhores ovos só

com Lia, e não deixava eu e meu irmão ir, e falava não, vá

procurar pra lá. Então isso também... ela sempre tinha

favoritismo nas coisas por causa da doença e ela tinha

consciência disso...” (Raquel)

“... eu não tinha atenção, a atenção era toda, totalmente voltada

para minha irmã, é tanto que eu era bastante excluída de, de, de

varias coisas. Eu não sei dizer para você a minha infância,

porque eu não reconheci, pra mim eu não tive infância, é... foi

muito sofrido, muito sofrido para mim. No inicio eu não

conseguia entender é, a situação da minha irmã que ela era uma

pessoa deficiente, e precisava de atenção total e... eu, eu sofri

muito, é... sofri muita rejeição devido a isso” (Marta)

Independente da ordem do nascimento, a criança com deficiência é sempre tratada

como “caçula”, podendo haver assimetria de papéis, ou seja, o irmão com

desenvolvimento típico assume o papel do irmão mais velho, mesmo que não o seja

(Nunes; Aiello, 2008).

“...e esse processo de desenvolvimento de João., eu fiz parte de

muita coisa né? Na confecção de materiais, de ideias, de... de...

de instrumentos nos quais a gente não tinha acesso pra compra

não é? De equipamentos, de...de andadores, de bicicletas

especificas então a gente começou a fazer adaptações desses

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