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2017

as emissões de poluentes do ar e o uso da terra. Os quatro RCPs são: 2.6, 4.5, 6.0 e 8.5. Esses cenários

climáticos consideram que a temperatura à superfície da Terra será elevada em 2

o

C (RCP 2.6), em 3

o

C

(RCP 4.5) e em 4

o

C (RCP 6.0), não havendo projeção de temperatura para um cenário de mudança

extrema (RCP 8.5). Esses cenários consideram que o aumento da temperatura já está ocorrendo e que

vai continuar a ocorrer durante o século XXI (IPCC, 2013).

O consenso internacional é manter a elevação da temperatura média global à superfície da

Terra em até 2

o

C (RCP 2.6), o que implica que

“as emissões acumuladas de CO

2

de todas as fontes

antropogênicas desde 1870 devem permanecer abaixo de 2900 GtCO

2

. Cerca de 1900 GtCO

2

já foram

emitidos até 2011”

(IPCC, 2014b, p. 8, tradução livre da autora). Ressalta-se, no entanto, que a

humanidade já consumiu dois terços do teto de 2900 GtCO

2

4 ,

o que significa que a manter-se o ritmo

atual de emissões a reserva estará esgotada em 2033 (WRI, 2014), condicionando medidas cada vez

mais drásticas e onerosas para cortar emissões. As propostas voluntárias nacionais de redução de

emissões (IND

C 5

) submetidas pelos países para o Acordo de Paris 2015, que foi adotado por 195 países e

entrou em vigor em novembro de 2016, estão alinhadas ao cenário de aumento de temperatura em 3

o

C

(RCP 4.5), e

“um esforço substancial de redução de emissões deve ser feito à escala global entre 2025 e

2030 para que o objetivo de 2

o

C ainda seja atingido”

(UNFCCC, 2016, pp. 12-13, tradução livre da

autora). Os países signatários do Acordo de Paris farão uma revisão geral obrigatória em 2025 com o

objetivo de avaliar se é possível manter o teto de aumento de temperatura à superfície da Terra em 2

o

C,

considerando os avanços das propostas voluntárias nacionais apresentadas.

Ainda que o fenômeno das AC tenha a confiança da comunidade científica e que os governantes

estejam sendo informados, desde o primeiro relatório (1990) do IPCC, sobre os riscos da concentração

atmosférica de CO

2

e outros gases com efeito de estufa, há uma dificuldade de compreensão do

fenômeno por parte das pessoas. O cidadão em geral não relaciona o modo como vivemos e as coisas

que usamos no dia-a-dia com a queima de combustíveis fósseis como carvão, gás e petróleo utilizados

para a produção de produtos e serviços que são regulados pelo mercado e/ou por políticas públicas. Há

uma ausência de tangibilidade, ainda que a mobilização popular venha crescendo e acompanhando a

trajetória do Acordo de Paris 2015.

Os combustíveis fósseis ainda são a espinha dorsal da produção econômica que escolhemos

para construir a sociedade em que vivemos desde o final do século XIX, com a revolução industrial. Do

4

Gigaton (Gt) é unidade de medida de massa que representa 1 bilhão de toneladas.

5

INDC é a sigla para

Intended Nationally Determined Contributions

, que é a comunicação oficial dos países no

Acordo de Paris 2015, sob a Convenção do Clima, em que especificam um teto para reduzir suas próprias emissões.

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