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2015
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Introdução
Ao longo dos últimos anos, a investigação tem vindo a acumular dados sobre a influência
de múltiplos factores ambientais na saúde, designadamente atestando a relação entre as
características do ambiente socio-físico do local de residência/bairro e a saúde,
funcionalidade e qualidade de vida das pessoas idosas (e.g. Clarke e Nieuwenhuijsen, 2009;
Yen
et al.
, 2009). No actual quadro de envelhecimento demográfico tal evidência,
conjugada com o reconhecimento de que a permanência, com qualidade, no contexto
habitual de vida (“
ageing in place
”) é factor de bem-estar, independência e participação
social, bem como de contenção de custos com sistemas de cuidados, tem gerado um
crescente apoio a
políticas de promoção de comunidades e ambientes favoráveis
à
população idosa e a um envelhecimento saudável e activo – de que é exemplo a rede
mundial e conceito de «cidades amigas das pessoas idosas» (Lui
et al.
, 2009; OMS, 2009;
Phillipson, 2011; WHO-Europe, 2012).
De entre os vários domínios relevantes, a associação entre as características do ambiente
construído e o andar a pé, como actividade física e forma de mobilidade dos idosos, é um
dos que mais investigação tem gerado (e.g. Yen
et al.
, 2009; Rosso
et al.
, 2011). Os
potenciais impactos positivos ao nível dos indivíduos – na morbilidade, mortalidade,
funcionalidade e independência –, mas também na comunidade – em termos de equidade,
coesão, sustentabilidade ambiental e económica –, argumentam a favor da importância de
uma aliança entre saúde pública e planeamento urbano visando criar ruas/ bairros/cidades
que permitam e promovam o andar a pé e, em especial, a acessibilidade, segurança e
mobilidade dos mais velhos (Kerr
et al.
, 2012).
A investigação e a conceptualização sobre
walkability -
aqui traduzida por
pedonalidade
,
entendida como examinando
em que medida o ambiente é propício para andar a pé
1
-,
têm vindo a identificar múltiplos factores ambientais e individuais potencialmente
relevantes, embora esteja ainda em aberto a confirmação e clarificação do seu papel
específico e a definição consensual de um enquadramento conceptual.
O esquema da Figura 1, apoiado num modelo teórico ecológico e de promoção da saúde
(Greenfield, 2011; Menec
et al.
, 2011; Northridge
et al.
, 2003; Salis
et al.
2006), propõe-se
representar níveis, domínios e factores relevantes. Enquadra assim variáveis ambientais
1
Para várias definições veja-se e.g. Abley
et al.
, 2010; Cambra, 2012; Gauvin
et al.
, 2005; IMTT, 2011.




