PolicyBrief_MarianaLiz_25_Jan_2022

O caso da E stónia : a importância de uma visão estratégica Em 2020, o instituto de cinema da Estónia publicou um importante relatório sobre educação para o cinema. 11 Começando por referir-se a estudos realizados anteriormente, relembra que o principal problema da educação para o cinema na Europa é a ausência de estudos fílmicos nos currículos nacionais, associada a um financiamento instável ou insuficiente desta área. Sublinha ainda que as iniciativas com maior sucesso neste sector se baseiam na cooperação entre diferentes agências governamentais, associações sem fins lucrativos, e profissionais da indústria cinematográfica, e são sempre suportadas por um plano estratégico de âmbito nacional. Quanto a medidas concretas, o relatório propõe: • que sejam produzidos mais filmes nacionais dirigidos a crianças e jovens; • que se estabeleça uma lista nacional de filmes que professores devem dar a ver, tal como existe uma lista nacional de obras literárias; • que seja criada uma plataforma para a disseminação do cinema nacional; • que a educação audiovisual seja parte inte- grante da formação de professores; • que, para além da produção de materiais que contextualizem os filmes em questão, seja produzido ummanual nacional para a educação para o cinema; • que sejam apoiadas as escolas que convidem realizadores para falar do seu trabalho e conduzir workshops; • que sejam encorajadas as salas de cinema que tenham programas específicos para crianças e jovens; • que seja fomentada a escrita e tradução de textos sobre a linguagem do cinema. 11 Lõhmus, J. Points of Departure for Film Education in Estonia, 2020. 12 BFI. Screening Literacy: Executive Summary, 2012 . 13 BFI. A Framework for Film Education, 2015 . A nálises transnacionais da E ducação para o C inema na E uropa Foi já há dez anos que, em parceria com institutos de cinema noutros países da Europa, o BFI coordenou o Screening Literacy Report, identificando estruturas, recursos e práticas existentes em mais de 30 países. 12 Em 2015 surgiu um novo documento intitulado A Framework for Film Education 13 , que voltou a sublinhar a importância da educação para o cinema, lembrando que, apesar do número crescente de iniciativas em vários países, ainda chega apenas a uma minoria de crianças e jovens na Europa. As vantagens da educação para o cinema para crianças e jovens assinaladas neste documento estão em sintonia com o Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória . Ele é, portanto, uma excelente referência para o desenho de uma estratégia para Portugal. De acordo com os documentos elaborados sob a coordenação do BFI, a educação para o cinema: • deve estruturar-se em políticas dirigidas aos cidadãos, e privilegiá-los a eles (e não tanto aos agentes que operam no sector); • deve começar o mais cedo possível, logo no ensino pré-escolar; • depende da integração de metodologias críti- cas e criativas e de um entendimento o mais alargado possível do que é o cinema; • está baseada na especificidade do cinema, enquanto linguagem e forma artística; • deve chegar a todas as crianças e jovens na Europa, em educação formal através da escola, e/ou através das suas famílias; • deve contemplar a implementação de medidas num período de tempo alargado, em que vão sendo monitorizados os seus impactos; • deve promover oportunidades de desenvolvi- mento profissional para todos os envolvidos, nomeadamente através da acreditação e certifi- cação da formação de educadores e professores. 12 Estudos e relatórios internacionais como este são uma base indispensável para o desenho de estratégias a nível nacional.

RkJQdWJsaXNoZXIy MTY4OTk1