ICS Research Biref 2021 - Observatório Permanente da Juventude
5 Gráfico 3. Representação de jovens na AR: distribuição por partido (%) Fontes: de 1976 a 2015, Freire (2009a; 2009b) e Freire e colegas (2012; 2016); de 2015 à presente legislatura, recolha dos autores. Convém realçar ainda o peso das novas gerações na bancada do Partido Renovador Democrático (PRD) na IV legislatura (1985-1987), com um total de 7 jovens em 41 deputados (17.07%). Outros partidos chegaram a obter representação parlamentar, mas nunca elegeram um(a) jovem. Somando todas as legislaturas, os partidos ecologis- tas e os de esquerda radical têm a maior representa- ção relativa de jovens nas suas bancadas: o BE teve 23 jovens até hoje, num total de 75 deputados (26.79%); o PCP tem um rácio de 93 em 348 (26.72%); o PEV de 6 em 20 (30%); o PS de 238 em 1353 (17.59%); o PAN de 2 em 5 (40%); o PSD de 315 em 1434 (21.97%); e o CDS-PP de 64 em 325 (19.69%). No presente mandato, o PS tem o depu- tado mais velho e o mais novo: Alexandre Quintanilha e Miguel Costa Matos, eleitos com 74 e 25 anos, respeti- vamente. No caso dos repetentes, destaca-se o líder do PCP: Jerónimo de Sousa é deputado desde 1976. Eleito a primeira vez a dias de completar 29 anos, mantém-se na Assembleia da República há 45 anos, hoje com 74 de idade. Por fim, apesar de já ter existido, pelo menos, um Presidente do Parlamento com 35 ou menos anos de idade em alguns países, como o Chile (Diego Paulsen, 33 anos), Montenegro (Aleksa Be č i ć , 33), e Bolívia (Andrónico Rodríguez, 31), em Portugal, nenhum foi eleito nessa faixa etária. JOVENS NO GOVERNO O governo é usualmente encarado como o zénite de qualquer carreira política nacional, pelo que a idade dos seus membros tende a ser mais elevada. Ainda assim, virtude da tendência de democratização das elites exe- cutivas, têm surgido em vários países não só casos de ministros e secretários de Estado bastante jovens, mas também de chefes do executivo. Sebastian Kurz foi Chanceler austríaco pela primeira vez com 31 anos, depois de ter sido ministros dos Negócios Estrangeiros com 27 e secretário de Estado da Integração com 25. Outros casos incluem a Dinamarca (Sanna Marin, 34), El Salvador (Nayib Bukele, 37) ou a Nova Zelândia (Jacinda Arden, 37). Na democracia portuguesa, o pri- meiro-ministro mais jovem foi Carlos Mota Pinto, che- gando ao cargo com 42 anos, num governo de iniciativa presidencial (IV Governo, 1978). No entanto, a média, entre 1976 e 2019, chega aos 49 anos, tendo todos os primeiros-ministros deste período alcançado o cargo entre os 42 e os 59 anos. A média de idade dos ministros nomeados entre 1976 e 2019 também corresponde a 49 anos. O ministro mais jovem foi Jaime Gama, nomeado no II Governo Constitucional (1978) com 31 anos. Ainda que por ape- nas 6 meses (o governo durou apenas 7), o jovem diri- gente socialista substituiu o histórico Alberto Oliveira e Silva, então com 53 anos, na pasta da Administração Interna. Já a média de idade dos secretários de Estado é de 44 anos. Neste cargo, já se contaram indivíduos com menos de 30 anos (no total são 14, incluindo alguns que vieram a ocupar vários cargos governativos, como Santana Lopes, António Vitorino, Marques Mendes e Durão Barroso). O mais jovem secretário de Estado foi Gomes de Pinho, nomeado secretário de Estado da Cultura no VIII Governo (1981) com 25 anos. Em termos gerais, ao longo da democracia portu- guesa, verificou-se uma tendência de aumento da média etária tanto de ministros como de secretários de Estado. Somando todas as legislaturas, os partidos ecologistas e os da esquerda radical têm a maior representação relativa de jovens nas suas bancadas.
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