ICS Research Biref 2021 - Observatório Permanente da Juventude

4 No entanto, como podemos inferir a partir dos grá- ficos 1 e 2, este peso está longe de ser uma realidade. A idade média dos deputados cresceu substancial- mente entre as primeiras e as últimas eleições legis- lativas, passando de cerca de 40 para cerca de 48 anos de idade. Enquanto, em 1976, a faixa etária mais velha representava somente 17.35% do hemiciclo, este é hoje o grupo com maior predominância na legislatura, contando com um total de 43.04% dos parlamentares. Inversamente proporcional é a representação de jovens, que se cifrava em 37.44% na primeira legislatura, e se fica atualmente por apenas 14.78% do Parlamento. Em números absolutos, são 81 deputados eleitos com 35 ou menos anos de idade na primeira legislatura, número que foi decrescendo progressivamente – embora não de forma linear – até à presente legislatura, que tem 35 jovens eleitos. Já a representação do grupo de “meia- -idade” (36-49 anos) manteve-se relativamente estável, passando de 45.21 para 41.74%, não obstante um ligeiro decréscimo a partir do fim do “cavaquismo”, em 1995. Gráfico 2. Representação etária na Assembleia da República (%, 1976-2019) Fontes: de 1976 a 2015, Freire (2009a; 2009b) e Freire e colegas (2012; 2016); de 2015 à presente legislatura, recolha dos autores. Cabe ainda olhar para as diferenças dentro de cada legislatura e de cada partido. Foram incluídas na aná- lise as organizações partidárias que, atualmente, têm assento parlamentar, excluindo o LIVRE 1 , IL e Chega, em virtude de os seus deputados únicos não serem jovens e de não terem obtido mandatos em pelo menos duas eleições consecutivas. O gráfico 3 revela um declínio generalizado do peso das novas gerações dentro de cada grupo parlamentar, refletindo a tendência geral supramencionada. As exce- ções são o BE, o PEV e o PAN. O BE, logo na segunda eleição em que alcançou mandatos (2002), tinha um jovem entre os seus três deputados (João Teixeira Lopes) e, com a exceção da XII legislatura (2011-2015), tem aumentando sempre o peso das novas gerações na sua bancada, contando, em 2019, com 42% de elei- tos com 35 ou menos anos (Ricardo Vicente, Moisés Ferreira, Mariana Mortágua, Maria Rola, Luís Monteiro, José Soeiro, Joana Mortágua e Isabel Pires). O PEV, em 1987, contou com dois deputados menores de 36 anos (Maria Santos 2 e Herculano Pombo 3 ), e de 1995 a 2005 teve sempre um jovem entre os dois deputados eleitos (Heloísa Apolónia, de 1995 a 2001, eleita a primeira vez com 26 anos; e José Pacheco Gonçalves, eleito, em 2005, com 32 anos). No entanto, a falta de renovação dos elei- tos do PEV ditou que há mais de uma década – desde a X legislatura (2005-2009) – que o partido deixasse de ter qualquer representação juvenil, acontecendo o mesmo no CDS-PP após 2015. Já o PAN, na presente legislatura, elegeu Bebiana Cunha e Cristina Rodrigues 4 , com 34 anos, num total de 4 membros do grupo parlamen- tar. Nos restantes partidos, a tendência tem sido de marginalização dos jovens nestes cargos, embora os padrões não sejam lineares, como se verifica no PCP entre a X e a XII legislaturas (2005-2009 e 2011-2015, respetivamente), e no CDS-PP, que passou de zero para mais de 1/3 de jovens na Assembleia da República em 1995. Neste último caso, ocorreu durante o mandato de Manuel Monteiro na liderança do partido (1992-1998), o que pode ter sido facilitado devido a este ter presidido à então Juventude Centrista, hoje Juventude Popular, no período anterior (1985-1990) à sua candidatura ao CDS-PP. 1 À data da eleição, já que a deputada do LIVRE passou, entretanto, a não-inscrita. 2 Que já tinha sido eleita pelo PCP, na IV legislatura, passando depois a independente; e que, depois de eleita pelo PEV na V legislatura, esteve como deputada pelo PS na VIII e IX legislaturas. 3 Passou a não-inscrito em 1990. 4 Que, entretanto, passou a deputada não-inscrita.

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