ICS Research Biref 2021 - Observatório Permanente da Juventude

6 Uma das questões fundamentais para interpretar esta tendência foi a renovação abrupta da elite política portuguesa que ascendeu ao governo após a transição democrática. Com efeito, a necessidade de renovação do pessoal político provocou uma rápida ascensão de jovens, dissipando-se à medida que a democracia se foi consolidando. Os ministros possuem, em cada governo, uma média de idades superior à dos secretários de Estado. Em muito governos a diferença de média de idades não é, no entanto, muito acentuada, confirmando que o cargo de secretário de Estado não se assume como um cargo fundamentalmente vocacionado como treino para potenciais ministros (Silveira, 2015). Sem prejuízo da tendência de aumento da idade dos membros do governo evidenciada no gráfico 4, dete- tam-se oscilações relevantes, já que a idade é uma entre muitas outras características tidas em conta por quem escolhe os membros do governo. Quando consideramos a evolução por escalões etá- rios, a tendência de sub-representação de jovens man- tém-se e torna-se evidente a diminuta presença relativa de jovens no governo. Particularmente no caso dos ministros, e com a excepção dos dois primeiros gover- nos, a proporção de jovens foi sempre bastante residual ao longo da democracia portuguesa (apenas 10 minis- tros jovens em 20 governos). Na verdade, nos restantes governos, só ocasionalmente um único jovem assumiu o cargo ministerial e desde 1995 que nem esta presença fortuita tem tido lugar. Gráfico 4. Média de idade dos membros do governo (1976-2019) Fontes: de 1976 a 2015, Almeida e Pinto (2015) e Silveira (2019); de 2015 a 2019, recolha dos autores. O número de nomeações como ministro é de 404, verificando-se 1 caso em que não foi possível apurar a idade. O número de nomeações como secretários de Estado é de 962, verificando-se 106 casos em que não foi possível apurar a idade.

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