ICS Policy Brief 2019 - Observatório Permanente da Juventude
8 Figura 3 – Almoço na escola no Dia da Criança (1 de junho). Sopa, frango assado com esparguete, e gelado. • As refeições em altura de férias – quando a escola fecha – constitui um problema muito preocupante no seio das famílias. Por exemplo, uma mãe refe- riu que, embora os seus filhos não tenham direito a refeições escolares gratuitas, ela gasta duas vezes mais em alimentos durante as férias, tornando este um período difícil de gerir. Os feriados implicam também uma preocupação crescente em relação aos horários das refeições, à maior frequência de consumo em casa e a dificuldade de conciliar a vida familiar e o trabalho. • Se, por um lado, as refeições escolares têm um impor- tante papel na mitigação das desigualdades sociais já que garantem o acesso a uma alimentação nutri- cionalmente equilibrada, sendo também uma forma de inclusão e integração nas práticas alimentares do país, por outro lado, o espaço escolar e extraescolar (e.g. comércio local à volta da escola) pode expor as crianças a situações de exclusão social. Ou seja, as crianças de famílias com maiores rendimentos têm a capacidade de escolher onde almoçam (dentro ou fora da escola), já as crianças e jovens de famílias carenciadas têm o seu leque de escolhas mais limi- tado, estando confinados a uma refeição totalmente ou parcialmente comparticipada pelo Estado dentro da escola. Recomendações: • Para as crianças e jovens que não tomem o pequeno-almoço em casa, providenciar nas escolas publicas clu- bes de pequeno-almoço gratuitos para todos os graus de ensino. O mesmo se poderia fazer com os lanches matinal e vespertino; • Realizar clubes de provas de alimentos mais saudáveis, aos quais crianças e jovens têm mais resistência ou rejeição no seu consumo, de forma a diversificar a palete de sabores das crianças; • Reencaminhar uma parte dos rendimentos auferidos através de taxas nos alimentos menos saudáveis (e.g. taxa das bebidas com mais açúcar) na realização de refeições fora do período escolar (e.g. férias, feriados), para ajudar as famílias a assegurar uma dieta equilibrada sem terem de recorrer a apoios alimentares de emergência (e.g. bancos alimentares). • Criação de gabinetes de apoio às famílias compostos por equipas multidisciplinares para ajudar a gerir e otimizar o orçamento alimentar que garanta uma dieta saudável e económica. Este acompanhamento deve evitar expor as famílias a situações já de si estigmatizantes. Estes gabinetes podem funcionar na escola ou na comunidade local (e.g. câmara municipal ou junta de freguesia).
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