ICS Policy Brief 2019 - Observatório Permanente da Juventude
10 alimentação, que incluem a rede e o custo dos trans- portes, a oferta em termos de superfícies comerciais, a segurança e as características físicas das áreas em que habitam e estudam. • Várias famílias das áreas urbanas/suburbanas habi- tam em bairros degradados, alguns com bolsas de pequena criminalidade, sendo frequente encon- trar jovens que estudam noutras áreas da cidade. Nalguns casos, os encarregados de educação res- tringem o tempo que os jovens estão fora de casa e da escola, evitando também que vão a casa de ami- gos ou os convidem para ir a casa. Frequentemente, essas limitações à participação social e à reciproci- dade estão associadas a exclusão social muito vin- cada, a sentimentos de vergonha e à estigmatização de comunidades étnicas ou bairros específicos (o “Bairro 6 de Maio” ou a “Zona J”). No entanto, em outros casos, os jovens conseguem socializar nor- malmente com amigos em espaços fora da escola. • Na área rural, para além da questão monetária, as limitações à reciprocidade entre jovens são poten- ciadas pelas distâncias, ausência de transportes, menor oferta de espaços comerciais e inexistência de locais de convívio, para lá da escola ou de clu- bes desportivos. Na escola convergem estudantes provenientes de pequenas aldeias. Para muitos dos jovens mais destituídos, que não tem possibilida- de de acompanhar os colegas e amigos a espaços comerciais nas imediações, esse é o único espaço de convívio com pares. Agradecimentos: O projeto de investigação que produziu estes resultados recebeu financiamento do European Research Council, ao abrigo do Sétimo Programa-Quadro da União Europeia (FP7 / 2007-2013) / ERC grant agreement n°337977.T Recomendações: • Pensar o território de forma integrada que evite a sua fragmentação em clivagens urbano/rural, litoral/interior é cada vez mais urgente. Este planeamento estratégico do território obriga a fazer novas alianças e compromis- sos, criando sinergias onde antes elas não existiam. O objetivo maior é garantir que as crianças e jovens que vivem nestes espaços não sejam objeto de injustiças territoriais que as excluem cada vez mais de geografias alimentares inclusivas, saudáveis e sustentáveis. • As famílias, crianças e jovens a residir em espaço urbano e rural no país devem ter acesso a um rendimento adequado para assegurar o direito a um padrão de vida digno na sociedade portuguesa e a uma alimentação saudável e equilibrada. O acesso ao rendimento adequado constituiria um passo importante para a realização do Direito Humano à Alimentação. • As recentes alterações nos preços das assinaturas mensais nas áreas metropolitanas e em outras comunida- des intermunicipais são positivas no combate à pobreza e à exclusão social. Porém, a breve trecho é essencial reforçar a oferta de transporte público e ajustar o desenho das redes de mobilidade à procura, não só nas zonas urbanas e suburbanas, como também nas áreas rurais mais periféricas. Posteriormente, deve ser pon- derada a progressiva gratuitidade do transporte público nas deslocações de pequeno curso.
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