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7 Encontramos a mesma tendência geral na variação do indi- cador de distância social percebida a indivíduos homossexuais. Em todos os momentos, quer em Portugal, como no Brasil, é no grupo de inquiridos que desaprovam o modelo monoparental feminino que encontramos as percentagens mais elevadas de rejeição da ideia de ter indivíduos homossexuais como vizinhos (34.5% em Portugal e 30% no Brasil no final dos anos 2000). É de salientar que em Portugal ocorreu uma redução brutal da distância social a “homossexuais” no grupo de inquiridos que desaprovavam o modelo monoparental feminino, representan- do 61% no início dos anos 90 e apenas 35% no final da década de 2000. 3.2. Modelo bi-parental heterossexual: uma criança pre- cisa de um pai e de uma mãe para ser feliz Em ambas as populações, os inquiridos que apoiam um modelo bi-parental heterossexual como o modelo ideal de bem- -estar das crianças são aqueles que apresentam níveis médios de aceitação da homossexualidade mais baixos. Pelo contrá- rio, aqueles que discordam com a assunção de que uma crian- ça precisa de uma mãe e de um pai para ser feliz, são aqueles que apresentam níveis de aceitação da homossexualidade mais elevados. Apesar de a tendência ser muito semelhante nos dois países, em Portugal, no final da década de 90, os dados revela- vam uma aproximação, no nível de aceitação da homossexuali- dade, entre indivíduos que valorizam de forma oposta o modelo bi-parental. No entanto, no final da década de 2000, as atitudes voltam a divergir marcadamente. Já no Brasil, a clivagem entre defensores e não defensores de um modelo bi-parental foi sem- pre muito marcada. Figura 13. Nível médio de aceitação social da homossexualidade, por nível de concordância com o modelo bi-parental ao longo do tempo (escala de 1-nunca se justifica a 10- sempre se justifica) - Brasil e Portugal, início e final dos anos 90 e final dos anos 2000 3,85 2,06 3,72 3,2 4,59 3,22 3,55 2,25 4,1 3,03 5,17 4,07 1 2 3 4 5 6 discordo concordo discordo concordo discordo concordo início dos anos 90 final dos anos 90 final dos anos 2000 Portugal Brasil da distância social a indivíduos homossexuais variam de acordo com as atitudes dos inquiridos face ao modelo monoparental feminino (uma mulher poder ter filhos sem estar em conjugali- dade), ao ideal bi-parental heterossexual de família (a condição de ter um pai e uma mãe como garantia de felicidade de uma criança) e face à desinstitucionalização da conjugalidade (consi- derar o casamento como uma instituição ultrapassada). 3.1. Modelo monoparental feminino de família: Uma mulher pode ter filhos sem ter uma relação com um homem Nos dois países, verificamos que os indivíduos que apoiam um modelo de família monoparental no feminino apresentam níveis de aceitação da homossexualidade mais elevados. Pelo contrário, aqueles que desaprovam a ideia de que uma mulher pode ter filhos sem estar numa relação com um homem, são aqueles que apresentam níveis de aceitação da homossexualida- de mais baixos. Com uma posição média, encontramos os inde- cisos. Se, em Portugal, os indivíduos com posições diferentes face ao modelo monoparental feminino contrastam de forma consis- tente ao longo dos três momentos considerados; já no Brasil, no final dos anos 90, os inquiridos indecisos e aqueles que desapro- vavam o modelo monoparental feminino convergiam nas suas atitudes face à homossexualidade, destacando-se dos inquiridos favoráveis (Mfavoráveis=4.90). Figura 11. Nível médio de aceitação social da homossexualidade, por nível de com concordância com o modelo monoparental feminino ao longo do tempo (escala de 1-nunca se justifica a 10- sempre se justifica) - Brasil e Portugal, início e final dos anos 90 e final dos anos 2000 1,55 2,86 2,27 2,79 4,08 3,24 2,9 4,55 3,92 1,83 2,89 2,63 2,45 3,87 2,33 3,65 4,9 4,08 1 2 3 4 5 6 desaprovo aprovo depende desaprovo aprovo depende desaprovo aprovo depende início dos anos 90 final dos anos 90 final dos anos 2000 Portugal Brasil Figura 12. Percentagem de inquiridos que mencionaram não querer ter homossexuais como vizinhos, por nível de concordância com o modelo monoparental feminino - Brasil e Portugal, início e final dos anos 90 e final dos anos 2000 Figura 12 60,5 45,3 50 30,9 20,3 22,7 34,5 20,8 25,3 36,9 24,3 33 32,5 21,1 25,6 30 16,8 13,6 0 20 40 60 80 100 desaprovam aprovam depende desaprovam aprovam depende desaprovam aprovam depende início dos anos 90 final dos anos 90 final dos anos 2000 portugal brasil

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