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5 Também a distribuição do indicador de distância social a indivíduos homossexuais mostra que é entre os inquiridos per- tencentes aos escalões etários mais velhos, sobretudo, aqueles que têm mais de 65 anos de idade, que encontramos percenta- gens mais elevadas de inquiridos que mencionam preferir não ter homossexuais como vizinhos. Consistente com a tendência encontrada no indicador de aceitação social, as clivagens etárias na perceção de distância social a pessoas homossexuais em Por- tugal são visivelmente marcadas, ao contrário do Brasil, onde há uma maior convergência das percentagens. Figura 6. Percentagem de inquiridos que mencionaram não querer ter homossexuais como vizinhos, por escalão etário - Brasil e Portugal, início e final dos anos 90 e final dos anos 2000 44,4 51,5 58,7 62,2 13,9 24,1 33 31,4 15,6 18,9 31,8 38,7 26,9 26,6 42 25,1 24,3 33,2 25,6 21,2 18,9 23,5 32,2 0 20 40 60 80 100 15-29 30-49 50-64 65 15-29 30-49 50-64 65 15-29 30-49 50-64 65 início dos anos 90 final dos anos 90 final dos anos 2000 portugal brasil No final da década de 2000, em Portugal, 39% dos inquiri- dos com mais de 65 anos e 32% dos inquiridos com idades com- preendidas entre os 50 e os 64 anos rejeitavam a ideia de ter homossexuais como vizinhos face a 16% e 19% entre os inquiri- dos com idades compreendidas entre 15 e 29 e 30 e 49 anos, res- petivamente. Já no Brasil, no final dos anos 2000, apenas a gera- ção mais velha se destaca com 32% de indivíduos dessa geração a reportar não querer homossexuais como vizinhos. Entre os outros escalões etários, a percentagem de indivíduos a rejeitar a ideia de ter homossexuais como vizinhos é muito semelhante (15-29 anos=21%, 30-49 anos= 19%, 50-64 anos=23%). 2.3. Religiosidade A sociedade portuguesa e a sociedade brasileira distinguem- -se fortemente no que respeita aos seus backgrounds religiosos, quer ao nível das confissões, que ao nível das práticas. De for- ma a atenuar essas diferenças históricas e culturais, baseámo- -nos numa variável mais subjetiva do nível de religiosidade. Os inquiridos foram questionados em que medida se consideravam pessoas religiosas e as suas respostas foram codificadas em duas categorias: “considero-me uma pessoa religiosa” e “não me con- sidero uma pessoa religiosa”. No final da década de 2000, a per- centagem de inquiridos que se autoconsideravam como pessoas religiosas era muito semelhante nos dois países, representando 83% em Portugal e 88% no Brasil. Figura 7. Nível médio de aceitação social da homossexualidade, por religiosidade (escala de 1-nunca se justifica a 10- sempre se justifica) - Brasil e Portugal, início e final dos anos 90 e final dos anos 2000 Figura 7 2,31 2,89 3,08 4,71 1 2 3 4 5 6 0 0,5 1 1,5 2 2,5 3 3,5 brasil religiosa não religiosa Linear (religiosa) Linear (não religiosa) 2 3,28 3,4 2,69 3,67 5,08 1 2 3 4 5 6 0 0,5 1 1,5 2 2,5 3 3,5 portugal religiosa não religiosa Linear (religiosa) Linear (não religiosa) 3 8 2 3,28 3,41 2,34 3,42 3,85 1 2 3 4 5 0 1 2 3 4 portugal homem mulher Linear (homem) Linear (mulher) 2,13 2,82 3,92 2,67 3,52 4,53 1 2 3 4 5 0 1 2 3 4 brasil homem mulher Linear (homem) Linear (mulher) Figura 4. Percentagem de inquiridos que mencionaram não querer ter homossexuais como vizinhos, por sexo - Brasil e Portugal, início e final dos anos 90 e final dos anos 2000 57,7 47,6 30,1 22,8 32,2 24,6 35,4 25 30,4 21,8 23,7 19,6 0 20 40 60 80 100 homem mulher homem mulher homem mulher início 90 final dos anos 90 final dos anos 2000 portugal brasil Figura 4 Também relativamente à perceção da distância social face a indivíduos homossexuais, a percentagem de homens e mulhe- res que reporta preferir não ter indivíduos homossexuais como vizinhos é significativamente diferente. Em Portugal, no início dos anos 90, mais homens do que mulheres (58% face a 48%) rejeitavam a ideia de ter “homossexuais” como vizinhos. No final dos anos 90 e dos anos 2000, apesar de a queda geral na percentagem de homens e mulheres manifestando este descon- forto, a clivagem de género persiste. Também no Brasil tem-se testemunhado a mesma tendência de género. À semelhança do padrão assistido na sociedade portuguesa, a percentagem de mulheres reportando não querer ter homossexuais como vizi- nhos é sempre inferior à dos homens, em todos os anos consi- derados. 2.2. Idade A idade também se revelou como um fator diferenciador nas atitudes sociais face à homossexualidade. Ao analisarmos o nível médio de aceitação social da homossexualidade segun- do os escalões etários nos três momentos, verificamos que nos dois países o padrão atitudinal é globalmente semelhante. Os inquiridos pertencentes a escalões etários mais jovens apresen- tam níveis médios de aceitação da homossexualidade mais ele- vados do que os inquiridos pertencentes a escalões etários mais velhos. No entanto, importa destacar algumas diferenças rele- vantes. Se em Portugal existe uma clara diferenciação atitudi- nal segundo a pertença geracional em todas as décadas consi- deradas, já no Brasil o fosso geracional tem vindo a diminuir ao longo do tempo. Figura 5. Nível médio de aceitação social da homossexualida- de, por escalão etário ao longo do tempo (escala de 1-nunca se justifica a 10- sempre se justifica) - Brasil e Portugal, início e final dos anos 90 e final dos anos 2000. 1,8 3,3 4,44 2,63 4,39 2,52 3,12 3,96 2,19 3,78 1 2 3 4 5 iníciodosanos90 finaldosanos90 finaldosanos2000 Brasil 15-29 30-49 50-64 ≥65 2,58 4,29 4,87 2,36 3,44 4,44 1,79 3,28 3,4 1,43 2,51 2,61 1 2 3 4 5 iníciodosanos90 finaldosanos90 finaldosanos2000 Portugal 15-29 30-49 50-64 ≥65
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